Temos de confessar que a KTM Scarp é uma bicicleta que há muitos anos nos enche as medidas, pois somos adeptos daquelas bicicletas de XC tipo maratona, aquelas que “adoram” andar para a frente.
Ou seja, não haja dúvida que esta suspensão total, pelas suas características em geral, é bastante reativa a rolar, a subir, e um pouco menos “eficaz”, digamos assim, a descer aqueles trilhos mais exigentes.

Mas, nesta geração de 2025, a KTM Scarp mudou bastante. Isto ao nível da geometria e engenharia do quadro (e num ou outro pormenor), pois ao nível de equipamento é certo que as versões mais acima na gama estão bem equipadas.
É o que acontece com esta KTM Scarp Evo Prime 2025, que mais acima tem apenas a versão Exonic, e que apresenta um preço relativamente elevado face ao que traz de origem.
Mas vamos então ficar a conhecer melhor o que esta bela “máquina” é capaz de fazer, que não é pouco! Acima está o teste em vídeo, já a seguir está o resumo rápido, e ao longo do artigo completo estão alguns Reels que fomos libertando no Instagram ao longo das semanas mais recentes.
| A nossa avaliação… |
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A KTM Scarp Evo Prime é uma bicicleta adequada para a grande maioria dos praticantes de BTT, dos que andam apenas ao fim de semana “a dar-lhe forte” até aos que andam em competição.
A nova estrutura do quadro em carbono funciona melhor, os acabamentos são ótimos, esta versão está bastante bem equipada e os periféricos de marcas reconhecidas compõem bem o pack.

Ter suspensões e geometria adaptadas a suspensões de 120 mm à frente e atrás pode ser o novo standard do segmento (por isso é que existe o modelo MT da Scarp, que nesta versão não existe, apenas na Exonic e na Master).
Contudo, temos noção que esta montagem consegue servir e superar as necessidades da grande maioria dos utilizadores. Aliás, a nós nunca nos “faltou bicicleta”.
Talvez se note a falta de um espigão telescópico de origem, a pensar nos trilhos mais técnicos, mas de resto… impecável!
Sentimo-nos muito bem em cima desta KTM Scarp e ela ajuda-nos a acompanhar qualquer grupo bem treinado de praticantes de BTT!
| O que mais nos agrada… |
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- O esquema de cores diferente do habitual na KTM Scarp, pois esta versão em branco “foge” ao laranja tradicional!
- A eficácia e prazer de uso da transmissão eletrónica Sram XX AXS.
- A presença de um sistema de ferramentas integrado no quadro, entre o top tube e o amortecedor.
| O que menos nos agrada… |
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- Esta opção podia estar enquadrada num patamar de preços abaixo…
- Não nos estamos a adaptar lá muito bem ao Selim San Marco Aspide Short, seria o primeiro upgrade a fazer a esta KTM Scarp…
| Especificações (ktm-bike.pt) | |
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| Review completa |
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Já falámos de vários pontos fortes desta KTM Scarp Evo Prime 2025 e agora enumeramos outro: agora há um conjunto ferramentas instalado no quadro, o chamado Scarp Evo Day Saver, uma solução engenhosa que elimina a necessidade de transportar ferramentas extra no bolso ou no selim.
Está encaixado entre o amortecedor traseiro e o top tube e conta com ferramenta multiusos, ferramenta de corrente, “desmontas”… Tudo o que é preciso para “salvar o dia”. Não faz ruídos parasitas, não cai em andamento. Boa novidade!
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É algo que que já presente noutras versões da Scarp e também pode ser adquirido sem separado. Mas há muito mais para falar sobre esta bicicleta “papa-kms”…

A começar pelo quadro, que muda consideravelmente ao nível do triângulo traseiro: as escoras são assimétricas, o sistema que aloja o amortecedor é MWYW (mount-what-you-want, permite montar o modelo que quisermos, no limite) e há evolução no sistema SLL – Straight Line Link, sem ponto de rotação junto ao eixo traseiro (e com apenas um ponto de rotação) que conhecemos.
Vídeo da KTM Scarp Evo Prime no YouTube da marca:
O que se nota de diferente? Achamos que o triângulo traseiro “cede” um pouco mais ao nível da construção em carbono, como que tensionando e ajudando a amortecer as vibrações, e isto é bom. Uma sensação de menos rigidez, talvez enganadora, pois resulta bastante bem ao nível da resposta da bicicleta.

Parece que a KTM Scarp ficou ainda mais reativa e reduz agora um pouco o efeito da travagem e do amortecimento na pedalada, “atirando” a Scarp para a frente.
Além disso, é assumido que o ângulo de direção foi inclinado em 1 grau e o selim verticalizado em 0,5 graus. E o comprimento do tubo horizontal foi ampliado em 10 mm. A bicicleta parece-nos um pouco mais racing, assim.
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Ou seja, as escoras superiores são oscilantes, diz a marca, e as inferiores são assimétricas, salientamos de novo. Tudo isto, na prática, dá-nos a sensação de que a bicicleta faz melhor duas coisas: é mais reativa no triângulo traseiro (ou seja, menos suscetível à perda de impulso pela ação do amortecimento) e flete um pouco mais. Mais fluida, com mais tração. Ponto a favor!
À frente continua a estar uma suspensão de 100 mm, contudo (como na geração do ano anterior) e atrás o amortecedor também continua com 95 mm.

Mais concretamente, falamos uma RockShox SID SL Ultimate e de um amortecedor RockShox SID Luxe Ultimate, que, no fundo, cumprem muito bem a missão a que se propõem.
Nota importante: apenas 100 e 95 mm no amortecimento faz com que falte alguma coisa quando a hora é descer com mais vigor, saltar, “abusar” um pouco mais nos trilhos mais atribulados.
Esta não é uma bicicleta de downcountry, está na ponta oposta, aliás. Esta é uma “máquina” para devorar kms e quando mais depressa, melhor.
Rodas e transmissão
Agora, dois pontos que explicam um pouco o preço acima de 7.000 euros: as rodas em carbono KTM com construção DT Swiss; e a transmissão. Por partes.
As rodas estão a ser uma boa surpresa. São as KTM Prime Carbon Trail made by DT Swiss, como é habitual de série nestas KTM de XC e XC maratona, e motram-se rígidas na dose certa (há mais rígidas…).
Ajudam como podem a que o conjunto total seja leve, mostram-se fluidas. Após várias centenas de kms, continuam imaculadas. Mas, mais uma vez, encarecem a bicicleta…
Depois, a transmissão. Eletrónica, claro, com a fluidez de uso do sistema AXS da Sram, aqui um conjunto composto por desviador Sram XX SL Eagle Transmission de 12x e prato de 34 dentes no pedaleiro também Sram XX SL T-Type (em carbono).
Este grupo topo de gama Sram XX Eagle AXS é uma transmissão a que já estamos habituados, já andámos em muitas bicicletas equipadas com esta “mais valia”. Um shifting muito linear e um desviador bastante robusto.
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No passado referimos que a KTM Scarp deveria encontrar uma forma mais moderna e engenhosa de fazer entrar os cabos à frente do guiador e isso agora concretiza-se nesta geração.
Não se trata de um nível de integração de outros guiadores que encontramos em bicicletas de outras marcas ao mesmo preço, mas há melhorias neste ponto e isso é o que mais interessa.
Ainda assim, achamos que uma KTM Scarp a este preço poderia muito bem trazer o guiador integrado que encontramos na montagem Exonic, e também espigão telescópico de origem.
Como se comporta, em geral?
Em termos de comportamento, esta KTM Scarp “desliza” com facilidade em trilhos fáceis e destaca-se especialmente em subidas menos técnicas. Com um peso compreendido entre os 10 e os 11 kg (com pedais Shimano XT), conseguimos ter aqui uma opção para passar várias horas em cima do selim.
Contudo, não é perfeita. O preço de 7.299 euros parece-nos elevado… Não é por falta de qualidade, atenção; simplesmente, e dado o novo panorama do BTT, gostávamos de ver aqui suspensões talvez até aos 110 mm de curso e algo que pudesse tornar a bicicleta um pouco mais versátil nas aventuras mais técnicas.

Em síntese, a nova KTM Scarp Evo Prime 2025 é uma “máquina” de XC/maratona elegante, leve e bem integrada. Talvez possa ser a escolha ideal para quem valoriza uma transmissão topo de gama e versatilidade em subidas e terreno intermédio.
Como praticamente todas as BTTs neste patamar de preço, é um portento de bicicleta, sendo fácil notar boas sensações desde o primeiro momento em que lhe pegamos de manhã até ao momento em que a vamos lavar, mais tarde, exaustos e satisfeitos por termos conseguido andar (e subir) mais depressa.
| Equipa GoRide responsável pelo teste: | |
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| » | Texto e teste: Rafael Prazeres Rider nas imagens: Rafael Prazeres Fotos e captação de vídeo: Jorge Lopes Edição de vídeo: Rafael Prazeres |
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