Tom Pidcock está de volta. E Nové Město, além de ser uma das etapas mais desafiantes do circuito da Taça Mundo XCO, continua a ser dele.
O britânico venceu a prova de XCO elite masculino este domingo e igualou um número que poucos esperavam ver ameaçado tão cedo: cinco vitórias neste circuito, tantas quantas as de Nino Schurter, o recordista histórico da prova.
Mas não foi uma vitória fácil. Luca Martin (Cannondale Factory Racing) foi o rival mais incómodo que Pidcock enfrentou em Nové Město há muito tempo. O francês perseguiu o britânico durante mais de uma hora, chegou a reduzi-lo para dez segundos a duas voltas do fim e manteve-o à vista até à linha.
Foi então que Pidcock respondeu na penúltima volta com uma aceleração que acabou por ser decisiva. Martin cruzou a linha em segundo, a 18 segundos. Filippo Colombo (SCOTT-SRAM) completou o pódio a 1.04.
O ritmo foi altíssimo desde o arranque. Dario Lillo puxou o grupo nas primeiras voltas, Mathis Azzaro impôs-se de forma agressiva e Pidcock saiu mais conservador do que é habitual.
Antes de completar a primeira volta, já estava na frente. No início da segunda lançou o primeiro ataque sério, e só Martin e Azzaro conseguiram responder.
A partir daí, Azzaro foi perdendo posições e Martin consolidou-se como o único rival capaz de manter Pidcock sob pressão real. Charlie Aldridge perdeu contacto por problemas mecânicos. Adrien Boichis fez uma grande recuperação para terminar em sexto.
Bjorn Riley, da SCOTT-SRAM, estava a fazer uma das melhores corridas da sua carreira quando sofreu um furo com destalonamento. E perdeu tudo numa questão de segundos.
Stigger e o ataque que ninguém respondeu
Na prova feminina, Laura Stigger (Specialized Factory Racing) resolveu tudo numa só aceleração.
Na quarta volta, a austríaca mudou de ritmo de forma brutal e abriu diferenças para todas as rivais em meia volta. Não foi um ataque de explosão, foi uma aceleração sustentada que nenhuma conseguiu absorver. A 5 voltas do fim já liderava com mais de 10 segundos. Na sexta, a margem aproximava-se dos 40.
Venceu com 47 segundos de vantagem sobre Jenny Rissveds (Canyon XC Racing), que ganhou o sprint pelo segundo lugar à frente de Sina Frei.
Puck Pieterse – a grande favorita depois da vitória no XCC de sábado – teve um dia para esquecer. Um erro numa zona de raízes na terceira volta custou-lhe o contacto com o grupo da frente e nunca mais recuperou, terminando em oitavo a quase dois minutos.
Evie Richards sofreu uma queda aparatosa na última volta e teve de ser assistida pelos serviços médicos.
Prova de XCC para Pieterse e Azzaro
No dia anterior, as provas de XCC produziram dois finais emocionantes.
Pieterse foi a grande figura do XCC feminino. Chegou a estar perto do fundo do grupo, foi subindo posição a posição, atacou repetidamente na subida e venceu o sprint final com autoridade. Um regresso à Taça do Mundo com vitória, exatamente o que se esperava da campeã mundial.
No masculino, Pidcock tentou uma estratégia diferente: começou em último para evitar os riscos do grupo numeroso e foi subindo ao longo da corrida. Na última volta chegou à frente e atacou na subida, mas Azzaro (Origine Racing Division) estava na sua roda e foi mais rápido no sprint final.
Uma derrota que o britânico levou bem: “É bom saber que ainda tenho as pernas. Amanhã quero ganhar”. Ganhou.
Portugal em Nové Město: balanço abaixo do esperado
Ao longo dos quatro dias de competição em Nové Město, Portugal teve seis atletas em prova nas várias categorias, e o balanço foi de resultados modestos mas com pontos UCI conquistados.
Nos juniores masculinos de XCO, Hugo Ramalho terminou em 62.º e João Vigário em 77.º, num universo de 121 atletas classificados.
Beatriz Guerra foi a atleta mais ativa do grupo português, com participação no XCC Sub-23 feminino na sexta-feira, terminando em 37.º, e no XCO Sub-23 feminino no sábado, que concluiu em 52.º.
Uma corrida difícil desde o arranque, com uma partida menos conseguida que condicionou toda a estratégia, segundo o selecionador Pedro Vigário.
Nos Sub-23 masculinos, João Fonseca terminou em 81.º e Duarte Galvão em 89.º no XCO de sábado.
No domingo, dia da elite, Raquel Queirós representou a Seleção Nacional no XCO feminino, mas não conseguiu concluir a prova, sendo classificada em 58.º após não terminar a três voltas do fim.
Ana Santos, presente em Nové Město ao serviço da Cannondale Factory Racing, também não concluiu o XCO elite feminino. Ficou a uma volta do fim e foi classificada em 40.º.
O selecionador Pedro Vigário foi direto na avaliação: “Esta participação ficou um pouco aquém do que podemos fazer. Contudo, foi possível arrecadar alguns pontos UCI, importantes para o futuro”.



