Remco Evenepoel pode estar de regresso à Volta a Itália em 2027. O belga admitiu essa possibilidade esta sexta-feira, durante a conferência de imprensa de antevisão da Il Lombardia, o último Monumento da temporada, que se disputa este sábado. Para já, a decisão fica em suspenso até à apresentação do percurso do Giro, marcada para o início de novembro.

O corredor da Red Bull-Bora-hansgrohe quer analisar o traçado antes de tomar uma decisão sobre o regresso à primeira grande volta da sua carreira, disputada em 2021 ao serviço da Quick-Step, numa equipa que também contava com João Almeida.

“A porta está aberta, sim. Penso que vamos esperar pelo percurso e depois ver o que acontece. Mas, quer dizer, é uma corrida da qual tive de sair com a camisola rosa, o que foi muito doloroso, por isso há com certeza uma porta aberta – mas isso não significa que vá alinhar à partida”, sublinhou o corredor.

E há um detalhe que pode fazer toda a diferença: Luca Guercilena, o novo diretor da corsa rosa, já deu a entender que pretende incluir mais quilómetros de contrarrelógio na edição de 2027. Uma possibilidade que poderá jogar a favor do recém-coroado campeão europeu de fundo.

E Evenepoel reforçou a ideia, sem querer antecipar decisões: “A porta está aberta para ver o percurso, e logo veremos no inverno se entro por essa porta aberta ou não”, acrescentou, em tom descontraído.

A última participação de Evenepoel no Giro aconteceu em 2023, mas terminou de forma amarga. O belga foi obrigado a abandonar depois de testar positivo à Covid-19, numa altura em que vestia a prestigiada maglia rosa. Um desfecho que continua bem presente na memória do ciclista.

O mistério começará a desvendar-se a 3 de novembro, quando a RCS Sport apresentar oficialmente o percurso do Giro 2027, em Roma. A revelação chega mais cedo do que na edição de 2026, cujo traçado só foi anunciado no início de dezembro.

Uma mudança que agrada ao belga. «Isso é bom. Ajuda», salientou Evenepoel. «O início de novembro é muito porreiro, porque no ano passado foi bastante tarde, recordo-me. É bom que façam um pouco mais cedo», frisou.

Tour continua a ser o grande objetivo

Apesar de deixar a porta aberta ao Giro, há uma corrida que continua no topo das prioridades de Evenepoel: o Tour. Depois de trocar a Soudal Quick-Step pela Red Bull-Bora-hansgrohe para reforçar as hipóteses de conquistar a Volta a França, o belga terminou a edição de 2026 no segundo lugar da classificação geral, atrás de Tadej Pogacar, e venceu duas etapas, incluindo a chegada ao topo de Plateau de Solaison.

O balanço da primeira temporada na nova equipa é, por isso, positivo, sobretudo pela evolução demonstrada ao longo das três semanas da Grande Boucle. “A maior aprendizagem que retirámos foi a minha estabilidade no Tour de France, a forma como cresci na corrida e continuei a um nível muito bom na terceira semana”, avaliou o ciclista, ao fazer o balanço da época de estreia na nova formação.

Evenepoel acredita que os progressos alcançados nas grandes voltas são um sinal encorajador para o futuro e uma razão extra para continuar a sonhar com o triunfo na prova francesa. “Penso que a maior melhoria que fizemos foi ao nível das Grandes Voltas. Isso é algo que levaremos para o futuro e foi uma grande motivação para continuar a apostar nelas. Sabemos que o Jonas [Vingegaard] caiu, mas, no resultado final, houve apenas um homem à minha frente. A vitória esteve relativamente próxima, embora não super próxima, e isso motiva-me a mim e à equipa para continuarmos a sonhar.”