A Picnic PostNL anunciou a abertura de uma investigação independente à cultura interna na sequência de graves acusações sobre o ambiente de trabalho dentro da estrutura da equipa. As denúncias surgem através de uma investigação conjunta da estação televisiva neerlandesa NOS e do podcast de ciclismo In De Waaier.

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O trabalho jornalístico teve por base conversas confidenciais com 71 atuais e antigos funcionários da equipa, que apontaram a existência de um clima de violência no trabalho sob a liderança do responsável máximo da equipa, Iwan Spekenbrink, e do diretor desportivo Rudi Kemna. Entre os testemunhos públicos destacam-se o de Adriaan Helmantel, antigo treinador de Tom Dumoulin, que descreveu a equipa como uma “ditadura” após os primeiros sucessos desportivos, devido ao controlo excessivo da direção e à limitação da voz dos corredores.

Outro dos relatos mais marcantes pertence a Martijn Tusveld. O antigo corredor da formação revelou ter sido afastado das principais provas após questionar as opções táticas no Giro de Itália de 2020, o que teve um forte impacto na sua saúde mental: «Também pensei em magoar-me.»

Em reação às publicações, a formação neerlandesa do WorldTour veio a público demarcar-se das acusações, embora tenha confirmado a realização de uma auditoria externa. «Os relatos partilhados por atuais e antigos ciclistas e membros do staff afetam-nos. Ao mesmo tempo, não nos reconhecemos no quadro geral apresentado nas publicações», sublinhou o conjunto em comunicado oficial.

«O facto de as experiências divergirem não diminui a gravidade dos relatos que vieram agora a público. Iremos, por isso, encarregar uma investigação independente para apurar como a nossa cultura de equipa é vivida na prática e em que medida reflete a cultura que procuramos alcançar», adiantou a estrutura desportiva, garantindo que irá «levar as conclusões a sério e implementar as melhorias que forem necessárias».

No mesmo comunicado, a Picnic PostNL enfatizou a sua filosofia alicerçada em três compromissos — desporto justo, saudável e responsável; cooperação segura assente em valores partilhados; e estabilidade profissional —, lembrando que os atletas dispõem de treinadores pessoais, de uma comissão de corredores e de conselheiros confidenciais para sinalizar eventuais problemas.

De acordo com os autores da reportagem, Iwan Spekenbrink recusou prestar declarações quando confrontado com as alegações. Por seu lado, a formação neerlandesa alegou ter tido apenas alguns dias para responder a uma série de questões e acrescentou ter proposto uma reunião com a NOS para abordar a sua filosofia e visão, convite que não foi acolhido.

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Num ano de 2026 marcado por dificuldades em alcançar resultados desportivos e por incertezas financeiras e de patrocínios, a Picnic PostNL confirmou igualmente que vai avançar com a candidatura à licença UCI WorldTour para a temporada de 2027.