Jasper Philipsen venceu ao sprint a edição de 2026 da In Flanders Fields, que se tornou a mais rápida de sempre, mas a clássica ficou marcada por mais um capítulo emocionante na rivalidade entre Mathieu van der Poel e Wout van Aert.
A corrida foi decidida na subida final ao Kemmelberg, pela vertente do Ossuário, onde uma aceleração de Van der Poel fraturou o grupo da frente. Apenas Van Aert conseguiu responder, isolando os dois rivais na liderança, após um dia longo e desgastante, pautado por ventos cruzados, quedas e ataques constantes.
A prova, que partiu de Middelkerke, começou com a formação de uma fuga de oito ciclistas, incluindo Dries De Bondt, Jules Hesters e Victor Vercouillie. O grupo chegou a ter uma vantagem superior a cinco minutos, enquanto o pelotão permitia a sua consolidação antes das zonas costeiras mais expostas.
First passage on Kemmelberg Belvedère for the peloton. ⛰️ #IFF26 #FLCS pic.twitter.com/mXpXdhC4JH
— In Flanders Fields – From Middelkerke to Wevelgem (@IFF_race) March 29, 2026
A passagem por De Moeren, conhecida pelos ventos laterais, aumentou o ritmo, mas não provocou divisões imediatas. No entanto, o esforço contínuo e a luta por posicionamento começaram a desgastar o pelotão, preparando o terreno para as fraturas que se seguiriam mais para o interior.
Fase intermédia caótica e ataques sucessivos
A corrida tornou-se mais agressiva após a saída da zona costeira. Uma série de ataques nas colinas e nos setores de terra batida (plugstreets) esticou o pelotão, com Jasper Stuyven a ser um dos mais ativos. As acelerações repetidas dizimaram o grupo, mas nenhuma tentativa de ciclistas como Christophe Laporte, Gianni Vermeersch ou Ben Turner conseguiu criar uma separação decisiva.
A fase intermédia foi também marcada por incidentes. Uma queda na zona de abastecimento e problemas mecânicos, como a troca de bicicleta de Paul Magnier, causaram perturbações. Mais tarde, uma queda aparatosa de Ben Turner em alta velocidade ditou o fim da sua corrida e prejudicou a perseguição da INEOS Grenadiers.
Wout van Aert breaks the ice on Kemmelberg Belvedère. #IFF26 #FLCS pic.twitter.com/FaV1xsZ8b9
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Foi Wout van Aert quem assumiu a responsabilidade de reagrupar a frente da corrida. A sua aceleração no Kemmelberg levou-o, juntamente com Mathieu van der Poel e Florian Vermeersch, a alcançar os sobreviventes da fuga inicial, reconfigurando a liderança da prova.
Duelo no Kemmelberg e final imprevisível
Na última passagem pelo Kemmelberg, Van der Poel impôs um ritmo demolidor que apenas Van Aert conseguiu acompanhar. Os dois rivais isolaram-se no topo, deixando para trás os restantes ciclistas, incluindo Florian Vermeersch, que ainda tentou resistir.
A 20 quilómetros da meta, a dupla da frente colaborou para aumentar a vantagem, enquanto Vermeersch os perseguia a cerca de 15 segundos, antes de ser alcançado pelo pelotão. A perseguição organizou-se, com a Red Bull-BORA-hansgrohe a trabalhar para Jordi Meeus, e a vantagem dos líderes começou a diminuir drasticamente.
Last passage on the Kemmelberg. MVDP & @WoutvanAert in the lead at the top! #IFF26 #FLCS pic.twitter.com/SYtjT6evwA
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Apesar de azares na perseguição, como uma troca de bicicleta de Jonathan Milan e um furo de Luke Lamperti, o pelotão conseguiu anular a fuga nos quilómetros finais. O reagrupamento, no entanto, foi o mote para um contra-ataque imediato de Alec Segaert, que atacou a um quilómetro da meta e ganhou uma vantagem surpreendente. Contudo, o seu esforço não foi suficiente para evitar um sprint massivo, onde Jasper Philipsen se impôs para selar a vitória em Wevelgem.



