O campeão mundial de 2012, Philippe Gilbert, apresentou uma proposta diferente para a discussão em torno da utilização de auriculares nas corridas. Em vez de abolir totalmente as comunicações ou mantê-las para todos os elementos da equipa, o belga defende que a presença de rádios seja limitada a apenas um ou dois corredores por formação.

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A ideia foi detalhada durante a participação no podcast Le Peloton, onde Gilbert sublinhou que esta medida traria uma dose acrescida de imprevisibilidade às provas sem cortar por completo o contacto com a estrutura técnica.

“O que propus foi ter no máximo um ou dois corredores por equipa a atuar como capitães”, afirmou Gilbert. Segundo o antigo ciclista, estes elementos ficariam encarregues de assumir uma responsabilidade acrescida na transmissão de ordens para os companheiros, alterando a dinâmica competitiva: “Teríamos um líder e um capitão, isso seria interessante.”

A discussão ganhou novo fôlego após os Mundiais disputados em Montréal, nos quais o pelotão competiu sem o habitual sistema de comunicação via rádio do WorldTour. A ausência de auriculares foi particularmente elogiada por Mathieu van der Poel, que conquistou a medalha de bronze na prova de fundo de elite masculina, atrás de Brandon McNulty e Michael Matthews.

O neerlandês, muito ativo nas movimentações ofensivas durante a corrida em solo canadiano, destacou à estação NOS a importância de competir sem diretrizes constantes: “É a coisa mais bonita que existe, também sem rádios. Acho que isso proporciona sempre corridas muito bonitas. Já o disse várias vezes, sou fã disso. É preciso correr por instinto e isso é o que mais gosto de fazer.”

A posição de Gilbert, contudo, encontrou oposição no mesmo podcast por parte de Maxime Monfort, antigo profissional e atual diretor desportivo da Lidl-Trek. Monfort considerou inviável o retrocesso e apontou as exigências financeiras como obstáculo ao aumento da incerteza desportiva perante os patrocinadores.

“O investimento financeiro nas equipas é tão elevado que não podemos simplesmente deixar as coisas ao acaso pelo facto de não termos auriculares”, argumentou Monfort.

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Apesar de compreender os argumentos económicos, Gilbert deixou críticas ao comportamento de alguns responsáveis nas viaturas de apoio: “Alguns diretores desportivos exageram nos gritos aos corredores apenas para tentar manterem-se relevantes, simplesmente porque também foram ciclistas no passado.”