Após a conclusão do Tour de França, que viu Tadej Pogacar conquistar o quinto título, Patrick Lefevere fez um balanço da prova. O antigo patrão da Soudal Quick-Step, agora reformado, elogiou o surpreendente segundo lugar de Remco Evenepoel e analisou a ascensão de jovens como Paul Seixas e Isaac del Toro.
Presente em Paris, na última etapa da corrida francesa, Lefevere confessou ao Cyclism’Actu que, apesar de estar reformado, continua a ser um “grande fã” do ciclismo. “Eu convidei-me!”, brincou, acrescentando: “Não faço mais parte da equipa, estou reformado. Não sou uma sogra que vem dar palpites. Saí completamente da equipa”.
A sua paixão, no entanto, permanece intacta: “Nasci no ciclismo e morrerei no ciclismo”.
“Evenepoel provou que eu estava errado”
Sobre a prestação do seu antigo pupilo, Remco Evenepoel, que terminou em segundo na geral, Lefevere admitiu a sua surpresa. “Sim. Devo confessar que ainda não estava totalmente convencido de que ele era um ciclista capaz de lutar pela classificação geral durante três semanas. Mas ele provou que estávamos errados”, afirmou.
Para o futuro, acredita que Evenepoel pode desafiar o domínio de Pogacar, lembrando que “Tadej é humano, apesar de tudo” e que Remco, sendo dois anos mais novo, “deve continuar a progredir e a insistir”.
“Paul Seixas fez um Tour excecional”
O antigo dirigente comentou também a notável estreia de Paul Seixas, de 19 anos, que alcançou o quarto lugar. “Estou muito impressionado”, disse, embora com uma ressalva: “Pessoalmente, talvez não o tivesse deixado disputar o Tour com apenas 19 anos. Vimos que ele começou a fraquejar no final, o que é perfeitamente normal”. Ainda assim, considerou o seu desempenho um sucesso. “Aos 19 anos, terminar em quarto no Tour de France é excecional. Ele sofreu nos últimos dias, mas realizou um Tour muito bonito”, concluiu, prevendo que Seixas “será um grande ciclista”, mas alertando que “não se devem queimar etapas”.
Questionado sobre Isaac del Toro, que fechou o pódio em terceiro, Lefevere destacou o papel crucial do seu colega de equipa, Tadej Pogacar. “Não nos podemos esquecer que o Tadej ajudou imenso o seu companheiro de equipa. Sem ele, o Del Toro provavelmente nunca teria subido ao pódio e, sem dúvida, não teria ganho a sua primeira etapa”.
“A melhor vitória: a segunda de Tim Merlier”
Ao eleger a imagem mais marcante deste Tour de 2026, Lefevere não hesitou em escolher um momento de pura potência. “A segunda vitória de Tim Merlier ao sprint. Ele lança o seu esforço de muito longe, a quase 500 metros, e ultrapassa toda a gente. Foi verdadeiramente impressionante”, recordou, referindo-se a uma das três vitórias de etapa da equipa.

