Retirado do ciclismo profissional no final de 2024, o antigo diretor geral da Soudal Quick-Step, Patrick Lefevere, continua naturalmente a acompanhar as notícias desportivas. O belga, de 71 anos, perdeu muito peso (10 kg) devido a problemas de saúde em novembro passado (pneumonia dupla e abcesso no fígado) e considera-se “um sobrevivente” depois de se ter “chegado muito perto da morte”. Mas parece estar de volta à melhor forma. Pelo menos, no discurso, e quis acertar algumas contas no podcast Radio Peloton, produzido pelo jornal belga La Dernière Heure.
Patrick Lefevere lançou um ataque a Ralph Denk, chefe da equipa Red Bull-BORA-hansgrohe, a quem acusa de ter “desrespeitado as regras” para perseguir Remco Evenepoel até conseguir contratar o seu ciclista no ano passado. “Não gosto da forma como o ciclismo está a evoluir em relação às rescisões de contrato. Vendi o projeto do Remco à Soudal durante cinco anos, mas após três anos começaram os problemas. Ralph Denk ofereceu um contrato ao Remco. Desde então, não parou. Cheguei a apresentar uma queixa à UCI porque existe um regulamento que exige que as três partes concordem para que um ciclista rescinda o contrato. Odeio o Ralph Denk. Ele ignorou o regulamento.”
Patrick Lefevere recorda que teve “um caso semelhante” em 1994, quando quis contratar Frank Vandenbroucke, e garante que não repetiu a experiência. “A certa altura, poderia ter contratado o Wout van Aert. Disse-lhe que seria bem-vindo se pagasse a indemnização para rescindir o contrato. Não pagou”, explica o ex-CEO da Soudal Quick-Step.
“A UCI não diz nada porque tem medo da Red Bull.” Patrick Lefevere reforçou as suas críticas ao seu antigo colega Ralph Denk, aproveitando para alfinetar a União Ciclista Internacional (UCI): “A UCI não diz nada porque tem medo da Red Bull. Em caso de processo, a Red Bull tem recursos financeiros ilimitados que levariam a UCI à falência. Posso compreender a decisão de Remco de sair? Sim e não. Posso compreender que ele esteja farto da sua equipa. E, bem, também posso compreender que, se for ambicioso, pense que a relva do vizinho é mais verde. Só espero que ele não peça para voltar daqui a dois anos”, concluiu.
Crédito da imagem: Captura de ecrã – La Dernière Heure



