Aos 44 anos e com uma carreira profissional iniciada em 2005, Domenico Pozzovivo não dá mostras de querer abrandar. Após um regresso bem-sucedido ao pelotão, o ciclista italiano aponta agora a novos objetivos para 2027, mantendo em vista uma histórica 19.ª participação no Giro de Itália, prova onde já detém o recorde de 18 presenças.
O regresso às corridas começou como um teste, depois de uma paragem de 18 meses. No entanto, os resultados dissiparam quaisquer dúvidas: apesar de apenas ter começado a competir no final de abril, Pozzovivo somou mais de 500 pontos no ranking UCI em somente 35 dias de prova, conquistando sete pódios entre etapas e classificações gerais. O seu rendimento permitiu à equipa Solution Tech-NIPPO terminar dentro dos primeiros 30 lugares do ranking coletivo da UCI, tornando a estrutura elegível para receber um convite (wildcard) para o Giro d’Italia de 2027.
“A ideia de continuar está presente. Obviamente, gostaria de manter o mesmo espírito e a mesma abordagem. Dessa forma, consigo ver-me a fazer mais uma época sem que seja um ano a mais”, assumiu o corredor em declarações ao bici.pro.
Apesar do balanço francamente positivo, a época de Pozzovivo teve um desfecho acidentado na Japan Cup. Uma queda provocada pela bicicleta de Attila Valter, que caiu imediatamente à sua frente, atirou o italiano para fora da estrada e provocou-lhe uma lesão na mão que obrigou a cirurgia. O contratempo, no entanto, não trava as intenções de renovação com a Solution Tech-NIPPO.
“Gostaria de continuar com eles. Afinal de contas, foram eles que tiveram a coragem de apostar num ciclista da minha idade e com tantos anos de competição em cima”, sublinhou o veterano, que pretende definir o seu futuro ainda durante o mês de novembro: “Seria muito importante para mim entrar no inverno já com o programa delineado e com uma ideia clara de quando e como atingir as melhores exibições.”
Surpreendentemente, Pozzovivo revela que os seus registos físicos estão no auge. “Do ponto de vista físico, os valores que já registei em treino foram os melhores da minha carreira”, afirmou, atribuindo a longevidade não só à genética e à evolução da nutrição e métodos de treino, mas também a uma alteração radical na sua rotina diária.
Ao afastar-se temporariamente da elite, o italiano percebeu que não necessitava de passar tanto tempo fora de casa em estágios de altitude. Ao privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade nos treinos, conseguiu passar mais tempo com a família e a filha Diana sem perder a forma competitiva.
Ainda assim, o ciclista lamenta que o conhecimento atual não existisse mais cedo: “Quando era mais jovem e a minha capacidade física era superior, sobretudo antes do acidente de 2019, não aproveitei todo o meu potencial.”
Com mais de vinte anos no pelotão internacional, Pozzovivo considera que a maior barreira no ciclismo atual não é corporal, mas sim mental. “Fisicamente, não tenho dúvidas de que se pode correr durante muitos anos, mesmo num desporto tão exigente. Mentalmente, porém, o ciclismo moderno desgasta-te muito mais cedo”, concluiu.

