No início de Outubro, o desafio Race Nature, o 4º e último deste ano de 2022, foi até ao Oeste. Mais concretamente, a Torres Vedras. E isso podia significar várias coisas, sendo que praticamente todas elas vieram a concretizar-se: ia haver BTT de alto nível, montanha e acumulado positivo, e trilhos rente ao mar.

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Ora, BTT de alto nível foi uma realidade. Um prólogo na 6ªfeira à noite que esteve repleto de convívio e “prego a fundo”, bem como duas etapas de competição para uns e superação para outros. Quanto ao acumulado positivo, já se sabe que qualquer etapa/fim de semana Race Nature é feito de alguma dureza. Gostamos que assim seja, é assim que tem de ser nas provas em que vamos realmente para praticar BTT e menos para estar parado a comer ou a beber…

Ora, em relação à montanha, a opção recaiu sobre aquela que mais gostamos, apesar de sermos “suspeitos”, pois vivemos perto e treinamos bastante por lá: a Serra de Montejunto.

E acredita que estabelecer um percurso entre Torres Vedras e esta serra é mais do que suficiente para acumular subida. Aconteceu no sábado, na 1ª etapa, com o dia seguinte a aligeirar e a mudar “agulhas” para os fantásticos trilhos à beira-mar de Santa Cruz a Santa Rita, passando depois pelos montes nos arredores das antigas termas do Vimeiro.

Grandes spots para BTT, como podemos ver não só pelas imagens neste artigo, cortesia do fotógrafo Eduardo Campos, como também pelos belos vídeos que tomamos como emprestados pelos nossos amigos/colaboradores Nuno Granadas e Diogo Caramujo, este último conhecido no YouTube como O Ciclista Improvável. Deixamos os referidos vídeos ao longo do texto, acredita que vale mesmo a pena vê-los do princípio ao fim!

Refira-se desde já a organização de grande nível, tracks GPS muito bem feitos, abastecimentos nos locais indicados e mais adequados, com tudo o que é necessário, e staff extremamente simpático e acessível. Zero razões de queixa.

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Prólogo e 1ª etapa

A organização Cabreira Solutions não falha quando a ideia é meter a malta a subir bem. Depois dos cerca de 1.200 metros do Prólogo da noite anterior (que serviu essencialmente para apresentar a base da prova aos atletas, a cidade de Torres Vedras, mais concretamente o Parque da Várzea), eis que o dia seguinte avançou para uma dura tirada de 78 km com mais de 2.000 metros de acumulado positivo.

Uma partida extremamente rápida pela “variante” da cidade de Torres Vedras deu lugar à entrada no mato 2 km depois, junto ao Centro Comercial Arena. Os primeiros 20 km tiveram pouca “história”: secção rolante, onde os andamentos foram vivos e musculados.

Race Nature Torres Vedras - Prólogo
RACE NATURE TORRES VEDRAS 2022 - PRÓLOGO NOTURNO
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Seguiu-se a primeira subida do dia. Zero dificuldade técnica, mas uma ascenção gradual até à localidade de Vila Verde dos Francos, talvez para aquecer as pernas para o que aí vinha. Depois, o ataque ao Casal Chorão, uma descida “rasgadinha” e novo “ataque” ao mesmo sítio. Pendências médias sempre a rondar os 10%.

Depois um single track bem técnico rumo a uma das antigas Casas do Guarda, a que está voltada para Vila Verde dos Francos, e fez-se o “corta-fogo” quase na íntegra, quase sempre a descer, com ritmos bem vivos. O “corta-fogo” é uma estrada que circunda a serra de Montejunto quase na totalidade, a uma altitude média face ao topo da montanha.

Nova subida com pouca dificuldade técnica, já a vislumbrar a vertente do Cercal, para irmos desaguar diretamente na grande dificuldade do dia: o conjunto de subidas para acesso ao famoso Bar da Serra, junto ao parque de campismo da zona.

Single tracks, muita pedra, pedra solta, pendências elevadas. Com o calor do dia a aumentar, apeámos uma vez ou duas nas zonas onde o terreno está mais solto, com alguma dificuldade em manter a tração. No briefing tínhamos sido alertados para uma descida perigosa e lá estava ela, com bastantes avisos: a descida da Tojeira. Mais pedra, degraus, rasgos, pendências elevadas. Necessária muita atenção neste trecho; a concentração e a dor de pulsos foram as grandes notas dominantes.

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Chegaram depois mais uns caminhos de ligação rumo à subida dos antigos moinhos de vento de Vila Verde dos Francos e seguiu-se o ataque ao Parque Eólico, já com mais de 50 km e 1.500 D+ nas pernas. Seguiu-se um rápido périplo pelos estradões da Serra da Galega, sempre em bom ritmo até Mata Cães, com mais uma descida bem “puxada” e vistas de cortar a respiração.

Race Nature Torres Vedras - Etapa 1
RACE NATURE - ETAPA 1

Chegámos assim à N9 e seguiu-se a parte final, um pequeno “labirinto” de singles e caminhos na zona das Termas dos Cucos, onde estava instalada a meta – em termos de cronómetro –, sendo que ainda tínhamos de regressar à base da prova no Parque da Várzea, na cidade, para que a mesma fosse oficialmente concluída.

2ª etapa, junto ao mar!

No domingo, a direção que seguimos foi a contrária à que nos levou à Serra de Montejunto na véspera. Fomos na direção do mar… Começa precisamente em Torres Vedras aquilo a que chamamos de ecovia e que liga a cidade àquelas praias do Oeste através de estradões.

Ora, o início da tirada do dia fez-nos sair da cidade precisamente por aí, com um arranque muito rápido, como é normal nas provas Race Nature. Sempre a rolar forte, com a primeira subida a “separar as águas”. Seguiu-se um ligeiro “entra e sai” dos estradões de terra batida que compõe a ecovia, alternando com alguns caminhos estreitos, pouco técnicos. O mar estava mais perto.

Após alguns kms, eis a bela Praia Azul, com passagem pelos passadiços de madeira que nos colocam em pleno areal, com o mar a ser companhia sempre do nosso lado esquerdo. Bom ritmo, muita gente a aproveitar o tempo razoável e a praticar desporto. Bons momentos.

A ligação à praia de Santa Cruz, contudo, chega logo a seguir via estradão que acompanha a margem. Seguimos pela ciclovia da localidade até à zona mais a norte e aí começa o que mais se esperava nesta etapa: os single tracks que acompanham o mar e se estendem até Santa Rita, outra praia daquela “correnteza”.

Pouco acumulado positivo até então, o que iria mudar drasticamente. Isto porque foi ali que abandonámos as vista sobre o oceano e começamos a subir as colinas ali perto, na direção contrária, rumo às termas do Vimeiro. E aqui começa um fantástico “carrossel” de single tracks na zona, quase dentro da floresta e quase sempre a somar desnível positivo, com uma ou outra descida técnica pelo meio.

Uma verdadeira ode ao BTT e ao XC maratona mais técnico. Adoramos a zona e é nestes momentos que nos lembramos que estes trilhos estão sempre ali e que passou demasiado tempo desde a última vez que os palmilhámos, ainda a roda 29” estava apenas a dar os primeiros passos… Imperdoável.

Alternando estes momentos e estes singles com estradões, chegamos a zona mais florestais, mais abertas e com alguma areia, que no fundo até foi presença constante ao longo de praticamente a manhã de domingo. Para elevar um pouquinho a exigência técnica.

Sempre a bom ritmo, mais singles, mais estradões, cruzamentos com estradas asfaltadas com a vigilância necessária. Assim começamos a aproximar-nos de novo da cidade, algo que faríamos daí a muito pouco tempo, até porque a etapa era mais curta que no dia anterior. Pouco mais de 60 km e desnível positivo total entre 1.000 e 1.200 D+.

Race Nature Torres Vedras - Etapa 2
RACE NATURE - ETAPA 2 (TORRES VEDRAS)

O regresso a Torres Vedras havia de acontecer pelo Forte de São Vicente, bem no alto e no centro da cidade. Ali estava colocado o ponto de cronometragem final, que no fundo assinalava a chegada no que toca a tempos oficiais, sendo necessário depois descer até às avenidas que nos levam de volta ao ponto de partida.

Uma chegada calma, pois fomos dos mais lentos na prova, e que nos permitiu discutir com muitos dos presentes a forma como foi possível enquadrar perfeitamente uma prova com estas características numa zona do país que, tal como muitas outras, tem muito para explorar ao nível do BTT e do desporto em geral.

Mais info e classificações:

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Todas as fotos: Eduardo Campos / Race Nature Torres Vedras

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