A edição de 2026 da Volta a Espanha está a ser um verdadeiro suplício para Mathias Norsgaard, que tem ocupado consistentemente os últimos lugares da classificação. Apesar das dificuldades, o corredor dinamarquês mantém-se firme no sonho de chegar a Madrid.
Com 2,02 metros de altura, Norsgaard, um especialista em contrarrelógio individual, não possui o perfil ideal para as Grandes Voltas. A sua experiência anterior numa prova de três semanas foi na Vuelta de 2022, que foi forçado a abandonar na 10.ª etapa devido a covid. Este ano, o desafio é igualmente exigente, marcado pelo calor intenso e pelo desnível acentuado das etapas.
O dinamarquês tem estado sempre na cauda da corrida, tendo sido o último classificado em Aitana e Calar Alto, penúltimo em Valdelinares, Xeraco e Loja, e antepenúltimo em Castellón.
Numa entrevista à TNT Sports, momentos após cruzar a meta, um Norsgaard visivelmente exausto revelou o drama vivido. Inicialmente dado como fora do controlo de tempo, o ciclista pôde, no entanto, continuar em prova graças a uma decisão dos comissários.
“Quando se calcula o tempo limite, fá-lo-se desde a partida fictícia até ao final da corrida”, explicou. “Mas como alguns ciclistas tiveram problemas mecânicos no início, [os comissários] decidiram suprimir a partida fictícia do cálculo, embora continue a ser um momento de corrida. Por isso, [com a equipa], calculámos o tempo limite do dia e eu tinha a certeza de que estava um minuto adiantado. Mesmo assim, recebi uma mensagem bastante clara dos comissários a dizer que estava fora do controlo de tempo. Mas o comissário foi super simpático e, no final, fez o seu trabalho”, contou, aliviado.
Quanto ao que resta da Vuelta, o objetivo de Norsgaard é simples e claro. “Só quero terminá-la. Não vou abandonar a corrida enquanto conseguir continuar a andar”, concluiu.

