Quando Mads Pedersen se tornou profissional, em 2015, o ciclismo já era um desporto altamente exigente e cada vez mais orientado por dados. Dez anos depois, o dinamarquês admite que quase não reconhece o contexto em que iniciou a carreira.

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Num recente encontro com a imprensa promovido pela Lidl-Trek, Pedersen fez uma leitura clara da forma como a modalidade evoluiu, sublinhando sobretudo a crescente obsessão pelo detalhe, pela nutrição e pelo controlo absoluto de todos os parâmetros. Aquilo que antes assentava sobretudo no treino intenso e no instinto transformou-se, segundo o ciclista, num ambiente onde praticamente nada fica ao acaso.

“Mesmo desde que me tornei profissional, o ciclismo mudou completamente”, afirmou Pedersen, em declarações citadas pelo Ekstra Bladet. “Naquela altura, quando queria perder peso, saía para treinar, bebia um pouco de água na bicicleta, comia uma barra energética, talvez uma banana, tomava um café a meio do percurso e estava feito. Estava preparado. Agora, come-se como se não houvesse amanhã.”

A observação surgiu em tom descontraído, mas reflete uma realidade que o corredor encara com seriedade. Para Pedersen, o pelotão atual exige um nível de rigor e dedicação que dificilmente é compreendido fora do meio.

“O ciclismo é completamente diferente agora”, reforçou. “É preciso estar muito focado e levar tudo muito a sério. Nunca esperei isto, sinceramente. Mas adapta-se. Aceita-se. Se quiser continuar no desporto, tem de o fazer. Se não quiser, então tem de procurar outra coisa.”

A carreira de Pedersen atravessa, assim, duas fases distintas da modalidade. Aprendeu o ofício antes de os planos alimentares serem calculados ao grama e antes de cada sessão de treino, ciclo de sono ou posição aerodinâmica ser escrupulosamente monitorizada.

Questionado sobre se se sente privilegiado por não ter crescido no ciclismo sob as atuais condições hipercientíficas, o campeão dinamarquês respondeu de forma ponderada, sem nostalgia.

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“Para ser honesto, não penso muito nisso”, explicou. “Estou satisfeito com a situação em que me encontro agora. Estou feliz com as experiências que tive no que hoje pode parecer estranho chamar de ‘ciclismo antigo’. Estou contente por ter feito parte desta viagem.”

Crédito da imagem: Giro d’Italia/X

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