O norte-americano Ashlin Barry protagonizou uma enorme surpresa ao conquistar o título de campeão do mundo de estrada na categoria de sub-23, em Montreal. Numa exibição memorável, o corredor, que celebrou o 19.º aniversário esta sexta-feira, completou uma longa fuga solitária para vestir a camisola arco-íris, deixando para trás todos os favoritos.
A corrida de 174,2 quilómetros, disputada no exigente circuito de Montreal com a subida principal de Camillien-Houde (1,8 km a 8%), foi marcada pela audácia de Barry. O norte-americano integrou a fuga inicial e isolou-se na frente da corrida logo ao quilómetro 30, conseguindo manter uma vantagem que se revelaria decisiva.

Atrás do vencedor, a luta pelas restantes medalhas foi intensa. O espanhol Héctor Álvarez garantiu a medalha de prata ao vencer o sprint do grupo perseguidor, quase um minuto depois de Barry cruzar a meta. O norueguês Jesper Stiansen ficou com o bronze.
Daniel Moreira foi o melhor português, na 14.ª posição, a 1.19 minutos do vencedor, integrando o primeiro pelotão. Rafael Barbas foi 41.º, a 2.48, no segundo grupo, seguido por Daniel Lima, no 44.º posto, a 3.45 minutos. Gabriel Baptista e Ruben Rodrigues abandonaram a corrida.
A prova começou de forma agitada, com uma primeira fuga de quinze elementos a ser rapidamente anulada pela equipa britânica. Pouco depois, formou-se um novo grupo de cinco fugitivos, composto por Samuel Novák, Kristian Egholm, William Heffernan, Matthew Dodd e o futuro campeão, Ashlin Barry. Este quinteto chegou a ter uma vantagem de um minuto e meio sobre o pelotão, que foi durante muito tempo controlado pela seleção irlandesa.
A meio da corrida, a falta de entendimento e uma série de ataques fizeram com que o pelotão se fragmentasse. Apesar da presença de favoritos como Héctor Álvarez, Niels Driesen e Aubin Sparfel num grupo de perseguição, a desorganização favoreceu os homens da frente. Com o passar das voltas, o grupo dianteiro foi perdendo unidades, restando apenas Barry e Egholm, antes de o norte-americano se isolar em definitivo.
Na fase decisiva, um contra-ataque liderado pelo italiano Matteo Scalco formou um grupo perseguidor de luxo com Álvarez, Driesen, Sparfel e Stiansen. Contudo, quando se esperava que o fugitivo fosse alcançado, Ashlin Barry demonstrou uma força impressionante, aumentando a sua vantagem na aproximação à última volta. Nem mesmo um ataque de Sparfel a três quilómetros da meta foi suficiente para ameaçar a vitória do intocável norte-americano, que celebrou o seu título em solitário.

