Mathieu van der Poel terminou o Mundial de Montreal na terceira posição, atrás do surpreendente campeão Brandon McNulty e do australiano Michael Matthews, depois de passar grande parte dos 273 quilómetros da prova na ofensiva.

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O neerlandês, campeão mundial em 2023, esteve entre os principais protagonistas da corrida, lançando ataques a longa distância e tentando sucessivamente provocar a seleção do grupo dos favoritos. Apesar de a estratégia não lhe ter permitido recuperar a camisola arco-íris, Van der Poel mostrou-se satisfeito com a forma como abordou a prova.

“Preferia obviamente ser campeão do mundo, mas fiz a corrida que queria fazer. Acho que fiz uma corrida incrivelmente forte”, afirmou o corredor neerlandês à NOS.

Van der Poel destacou sobretudo a capacidade de antecipar os movimentos dos adversários, em vez de se limitar a reagir às acelerações.

“Basicamente, estive à frente de todos os ataques que vieram de trás. Era mais ou menos isso que tinha em mente. Acho que não ficou assim tão longe de resultar, mas infelizmente não aconteceu”, explicou.

O neerlandês começou a movimentar-se com cerca de 90 quilómetros ainda por percorrer, numa altura em que muitos dos principais candidatos permaneciam resguardados no pelotão. A intenção era endurecer a corrida e obrigar os adversários mais fortes a assumir riscos antes da fase decisiva.

“Senti-me bem e simplesmente queria tornar a corrida dura. Acima de tudo, queria estar na frente quando os grandes nomes atacassem naquela subida, porque sabia que seria difícil”, justificou.

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Van der Poel também reconheceu que, numa corrida tão aberta, a hesitação dos perseguidores poderia transformar uma movimentação numa oportunidade para disputar a vitória.

“Nunca se sabe. Se eles hesitassem um pouco atrás e nos dessem mais algum tempo, era definitivamente possível. No final, eles conseguiram recuperar e, na verdade, não ficou assim tão longe. Mas depois tive de arriscar”, contou.

A estratégia contribuiu para um final caótico, com Van der Poel integrado em várias combinações perigosas antes de Brandon McNulty aproveitar a indefinição do grupo perseguidor para atacar, a 33 quilómetros da meta. O norte-americano ganhou rapidamente uma vantagem suficiente para resistir até à chegada e conquistar a camisola arco-íris.

Van der Poel ainda tentou uma última aceleração nos quilómetros finais, mas já não conseguiu alcançar McNulty. Matthews venceu o sprint pelo segundo lugar, deixando o neerlandês com a medalha de bronze.

Apesar do resultado, Van der Poel voltou a elogiar um dos aspetos particulares do Campeonato do Mundo: a ausência de comunicação por rádio entre os corredores e as equipas durante a prova.

Sem as instruções constantes dos diretores desportivos, os corredores são obrigados a interpretar a corrida e a tomar decisões por conta própria — uma característica que o neerlandês considera essencial para tornar as provas mais imprevisíveis.

“É a coisa mais bonita que existe, também sem rádios. Acho que isso produz sempre corridas muito bonitas. Já o disse algumas vezes: sou fã disso”, afirmou. E acrescentou: “É preciso correr por instinto. E é isso que mais gosto de fazer.”