A Milão-Sanremo ganha um protagonista inesperado: Mads Pedersen. Numa reviravolta pouco antecipada, o dinamarquês regressa à competição mais cedo do que o previsto, depois de cerca de um mês e meio a recuperar de fraturas no pulso e na clavícula. Assume assim a liderança da Lidl-Trek, substituindo o italiano Jonathan Milan, que no início da semana anunciou a ausência por doença.
“Honestamente, o plano não era competir na Sanremo, mas fizemos alguns treinos muito bons e queríamos atingir números específicos para termos hipóteses de obter um bom resultado também nesta prova”, explicou Pedersen em comunicado. “Após alguns treinos intensos esta semana, acreditamos que é uma boa decisão voltar a competir, atingir o nível necessário e sentirmo-nos novamente confortáveis numa corrida”, acrescentou o campeão do mundo de fundo em 2019, que tinha sofrido uma queda na sua estreia da temporada, na etapa inaugural da Volta à Comunidade Valenciana.
Mads Pedersen will line up at Milano-Sanremo this weekend after recovering from a wrist fracture sustained earlier this season, with the Lidl-Trek rider cleared to race following a series of medical checks.
— Lidl-Trek (@LidlTrek) March 19, 2026
“Claro que os médicos e o meu treinador também tiveram uma palavra a dizer sobre quando e como poderia regressar. O Dr. Jens fez vários exames à minha mão e está 100% confiante de que posso voltar a competir, por isso é muito bom estar de regresso”, sublinhou Pedersen. A participação na Milão-Sanremo surge assim como um primeiro teste antes dos grandes objetivos da primavera, com destaque para as clássicas de empedrado, como a Volta a Flandres e a Paris-Roubaix.
Apesar de não fazer parte do plano inicial, a decisão foi validada pela equipa. O médico Jens Hinder explicou o processo: “A recuperação do Mads correu tão bem quanto poderíamos esperar — ou até melhor. Com fraturas, o maior desafio é sempre o timing: começar demasiado cedo pode comprometer a cirurgia, mas manter a articulação imobilizada durante quatro semanas implica depois mais duas ou três para recuperar a mobilidade.”
“Seguimos uma abordagem cautelosa, introduzindo carga de forma gradual no pulso desde cedo — primeiro nos rolos, em Maiorca, e depois numa bicicleta de gravel com guiador adaptado — sempre dentro de parâmetros rigorosos para garantir que não havia risco para a zona afetada. A atitude do Mads fez toda a diferença; a sua mentalidade positiva foi determinante tanto na cicatrização como na reabilitação. Todos os exames confirmam que está pronto para competir”, concluiu.
Crédito da imagem: Lidl-Trek/X



