João Almeida assume que o pódio é seu objetivo na Volta a Itália, que se inicia no próximo dia 8. O corredor português da Deceuninck-QuickStep foi uma das revelações do Giro de 2020 na estreia numa grande volta, liderando a prova durante 15 dias até às etapas finais de alta montanha, sucumbindo ao poderio dos adversários, ao esforço acumulado em três semanas e, naturalmente, também à pressão de envergar a camisola rosa em fase tão crucial da competição.

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A descida à quarta posição da classificação final não foi um fracasso, muito pelo contrário, foi um brilharete numa das corridas mais exigentes e prestigiadas do ciclismo mundial e a confirmação de enorme talento de um jovem ciclista de apenas 22 anos.

A poucos dias do início do segundo Giro, João Almeida garante a pretensão de melhorar a classificação de 2020, que desde logo é um lugar no pódio final em Milão. “O meu objetivo da temporada é o Giro e espero estar na minha melhor forma para a corrida”, disse o corredor de A-dos-Francos, uma localidade perto das Caldas da Rainha, em entrevista ao Cyclingnews.

“No Tour dos Emirados Árabes Unidos estive bem e fui terceiro, depois no Tirreno-Adriático fui sexto, e as sensações foram boas, apesar de ter tido um péssimo dia numa etapa com muita chuva em que cometi um erro de alimentação que me fez perder bastante tempo. Na Catalunha, estava cansado e fatigado, mas mesmo assim consegui estar ao nível de alguns dos melhores”, explicou o português, que esta temporada terminou todas as provas por etapas em que participou nas primeiras dez primeiras posições.

“Trabalho muito e a esquematização da temporada competitiva tem funcionado bem, por isso o objetivo é terminar no pódio. Se ficar entre os dez primeiros também ficarei feliz, mas queremos sempre mais e mais, por isso vamos ver o que vai dar”.

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A última corrida de João Almeida foi a Liège-Bastogne-Liège, no final de abril, antes de uma paragem na sequência competitiva e do regresso a Portugal, para o conforto da família, recuperar o corpo e a mente, e ultimar a preparação, a solo, para o Giro. A especulação sobre a saída da Deceuninck-QuickStep no final da temporada – que é cada vez mais uma certeza, com UAE Team Emirates, Movistar e Bora na primeira linha dos pretendentes, acenando com um contrato milionário na ordem dos três milhões de euros por ano – deverá ser mais um fator desestabilizador na opinião pública do que para o atleta, que já recebeu a confirmação de apoio condicional dos seus companheiros de equipa, incluindo de Remco Evenpoel.

“Tenho algumas ofertas boas e ainda estou a estudá-las, mas o meu foco está no Giro e no meu desempenho. Mais tarde, ponderaremos esse assunto… Houve muitos rumores com a Emirates e depois a Bora envolvendo o Sagan, e também a Movistar. Sei como estas coisas são, mas não estou a distrair-me. Nada foi assinado”, esclareceu João Almeida.

Em outubro de 2020, o corredor português chegou ao Giro com ambições relativamente baixas. Queria apenas desafiar-se na estreia numa corrida de três semanas, saber até onde conseguir resistir o mais perto dos melhores adversários possível.

Mas o português superou as (cremos até as próprias) expectativas desde as primeiras pedaladas na prova italiana, classificando-se em segundo no contrarrelógio de abertura em Palermo e dois dias depois vestiu a ‘maglia rosa’, que defendeu sempre com autoridade e classe grande parte da competição, até à 18.ª etapa que terminou no Laghi di Cancano, quando, por fim, quebrou no Passo di Stelvio, caindo para quinto lugar na geral. No contrarrelógio final subiu uma posição e terminou com a satisfação de se ter transcendido e o reconhecimento geral à sua extraordinária performance.

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“Aprendi que é indispensável uma equipe forte para nos defender e controlar a corrida, e que cada detalhe conta na terceira semana”, declarou Almeida. “Até ao Giro de 2020, só tinha corrido em provas até dez dias, sabia que seria competitivo nesse tempo, a partir daí era uma incógnita. Ter estado 15 dias a liderar foi uma surpresa. O objetivo sempre foi tentar estar com os melhores nas subidas, não queria ter um dia mau. Mesmo quando perdi a ‘rosa’, não foi um desastre. Não fiquei mal”.

“Por alguns momentos pensei que conseguiria aguentar, mas foram 15 dias de muito desgaste, com cerimónias de pódio, controlos antidopagem e entrevistas, por isso perdi mais energia nesses protocolos do que os meus rivais, porque a minha recuperação após cada etapa começava sempre mais tarde. Acho que perdi mais tempo no Stelvio por causa disso. Não foi um dia mau, simplesmente não estava tão súper como os outros. Mas ainda assim fiquei muito orgulhoso da minha corrida”.

A notícia de liderança de Almeida no Giro foi um pouco ofuscada pela notícia de que a estrela Remco Evenepoel participará na corrida italiana, segundo o próprio, para ganhar ritmo culminando longo período de ausência após a grave queda em que fraturou a pélvis no Giro da Lombardia em agosto de 2020. O jovem belga vai ao Giro sem ter competido ainda esta temporada, e já se predispôs ao serviço de João Almeida.

“A forma de Remco é muito boa. Eu serei o líder da equipa no Giro. Ele nunca fez uma grande volta, está como eu o ano passado, mas considero que fará uma corrida muito boa. E se for mais forte do que eu, terei o prazer de ajudá-lo a obter a melhor posição possível. Tenho uma das melhores equipas possíveis ao meu serviço”, defende o corredor português, que classifica a concorrência como “muito poderosa”.

“Há muitos candidatos à vitória no Giro este ano, ainda mais do que no ano passado. Simon Yates parece estar muito forte, esteve-o no Tour dos Alpes, e depois há o Egan Bernal. Existem tantos adversários de grande valia que temos de esperar para ver”, concluiu.

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