A indústria está a mudar, a capacidade de produção está a evoluir e algumas marcas chinesas de componentes para bicicletas deixaram de se limitar ao papel de fornecedoras anónimas, passando a apresentar soluções completas e com identidade própria. Algumas dessas soluções são os grupos de transmissão chineses.

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Hoje, encontramos no mercado transmissões de marcas chinesas com 12 e 13 velocidades, versões mecânicas e eletrónicas e compatibilidade com os quadros mais recentes; e, em muitos casos, tudo isto já não choca quando comparado com gamas médias das marcas tradicionais.

No papel, e muitas vezes na estrada ou no gravel, tendem a funcionar bem. O problema é que no ciclismo de estrada, vertante na qual funcionar pode não ser o único critério que tem de ser obedecido. Confiança, serviço pós-venda e previsibilidade continuam a pesar tanto como performance, certo?

Não estamos perante uma revolução iminente que vá destronar fabricantes e marca como Shimano ou SRAM, mas sim de um processo de implementação nos mercados que é feito de pequenos avanços, nichos bem escolhidos e um consumidor cada vez mais informado.

Onde os grupos chineses fazem sentido

O primeiro ponto a sublinhar é que estas soluções podem não ser para todos. Para quem anda em pelotão competitivo, participa em provas homologadas pela UCI ou depende de assistência técnica rápida, a aposta continua a ser um pouco arriscada.

Por outro lado, se és um ciclista amador ou alguém que gosta de experimentar novas soluções sem se comprometer financeiramente, a equação muda.

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Grupos como os da Microshift, da Wheeltop ou de outras marcas emergentes chinesas já oferecem passagens de mudanças suaves, compatibilidade abrangente e durabilidade aceitável, e podem ser instalados sem grandes adaptações. Isto pela que já pudemos experimentar.

A vantagem clara é o custo-benefício. Com preços significativamente mais baixos do que um Shimano 105 ou um SRAM Rival, estes grupos de transmissão chineses para bicicletas de estrada permitem atualizar ou reconstruir a transmissão sem comprometer o orçamento.

Mas há um aviso: este “barato” só compensa se tiveres alguma capacidade mecânica e consciência de que algumas peças podem não ser imediatamente substituíveis, ou que ajustes mais ligeiros poderão ser necessários com maior frequência.

É um trade-off entre preço e previsibilidade, sendo que no ciclismo o segundo aspeto pode pesar tanto quanto o primeiro.

O futuro e a evolução do mercado

O mais provável é que, nos próximos dois a três anos, uma ou duas marcas chinesas se consolidem em nichos específicos como o gravel, o bikepacking ou as bicicletas direct-to-consumer, isto antes de arriscarem entrar no pelotão das gamas médias e altas das lojas tradicionais.

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A vantagem estratégica delas é clara: inovação rápida, custos controlados e abertura para novos padrões. Shimano e SRAM continuam e vão continuar líderes neste segmento dos componentes, mas já não têm a exclusividade tecnológica nem a percepção de invencibilidade de outrora.

No fim do dia, os grupos chineses representam uma oportunidade de experimentar sem medo, mas exigem expetativas realistas. Funcionam? Sim. São confiáveis? Depende do contexto. São uma ameaça para as marcas consolidadas? Também não.

Ainda não. Mas a tendência é clara: os ciclistas mais atentos e informados vão olhar cada vez mais para alternativas que antes seriam desconsideradas.


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