A feira internacional Eurobike deste ano, que decorre de 24 a 27 de junho em Frankfurt, na Alemanha, surge como um ponto de transição.
Depois da criação de uma joint venture entre a Messe Frankfurt e a Fairnamic, a gestão passou para uma nova equipa, com o objetivo claro de reposicionar a Eurobike como plataforma central da indústria.
A edição de 2026 não é ainda a versão final dessa transformação, mas já introduz alterações estruturais importantes, pensadas para responder a um mercado mais fragmentado e a necessidades mais específicas de expositores e visitantes profissionais.
Um dos sinais mais evidentes dessa mudança é a redução dos dias abertos ao público. A Eurobike passa a ter apenas um dia com acesso generalista, reforçando o foco nos dias profissionais e no networking B2B.
Esta decisão acompanha uma tendência clara no setor: as grandes feiras deixam de ser eventos híbridos e voltam a privilegiar o negócio, os contactos e a geração de oportunidades concretas.
Novo layout: menos dispersão, mais lógica
A reorganização dos pavilhões é outro dos pontos-chave desta edição. O novo layout foi pensado para reduzir distâncias e agrupar melhor os diferentes segmentos da indústria.
Os halls 11 e 12 concentram a maior parte da feira. O hall 11 será dedicado ao segmento performance e desporto, incluindo também áreas mais ligadas ao gravel e aventura. Já o hall 12 foca-se na mobilidade do dia-a-dia e ecomobility, refletindo o crescimento deste segmento nos últimos anos.
O hall 8 surge como espaço dedicado ao Global Sourcing, funcionando como ponto de encontro para fornecedores internacionais, sobretudo asiáticos. Esta divisão procura tornar a visita mais eficiente e facilitar a identificação de parceiros e tendências.
Mais do que uma mudança estética, trata-se de uma tentativa de clarificar o posicionamento da feira e reduzir a dispersão que se tem vindo a verificar nas últimas edições.
Retail First: reforço do retalho especializado
Outra das novidades relevantes é o programa “Retail First”, claramente orientado para o retalho especializado.
A organização assume aqui uma posição estratégica: o retalho continua a ser um dos pilares da indústria, num momento em que enfrenta desafios como a digitalização, a concorrência de novos canais e a evolução do consumo.
Durante os dias profissionais, os retalhistas terão acesso gratuito à feira, com serviços adicionais pensados para facilitar a visita: entrada rápida, apoio dedicado, zonas de descanso e vouchers de mobilidade na cidade.
Mais importante do que isso, haverá um programa específico de conteúdos e networking, focado em temas como e-bikes, modelos de leasing, e-commerce, serviço pós-venda e posicionamento no mercado.
A lógica é clara: tornar a presença na feira mais útil e mais orientada para decisões concretas de negócio.
Networking contínuo e não apenas presencial
A Eurobike 2026 introduz também uma ferramenta digital de networking, que permite preparar reuniões antes da feira, organizar contactos durante o evento e manter ligações depois do seu término.
Esta abordagem responde a uma mudança importante no comportamento B2B. O networking deixa de estar limitado aos dias da feira e passa a ser visto como um processo contínuo.
Para os expositores, isto significa maior retorno potencial. Para os visitantes, maior eficiência na gestão do tempo.
Programa e áreas exteriores mantêm importância
Apesar do reforço do foco profissional, a componente experiencial mantém-se relevante.
As áreas exteriores continuam a ter um papel importante, com pistas de teste e zonas de demonstração onde será possível experimentar bicicletas, acessórios e soluções de mobilidade.
O programa inclui também eventos como o Drop and Roll Show e atividades em pista de dirt MTB, além de uma área dedicada ao público mais jovem.
Estas iniciativas mantêm a ligação da feira ao lado mais visível e dinâmico do ciclismo, mas já enquadradas num formato mais compacto.
2026 como ponto de viragem para 2027
A criação de um Advisory Board, com representantes da indústria, comércio e associações, reforça a ideia de que a Eurobike está num momento de redefinição estratégica.
O objetivo é claro: construir uma visão comum para o futuro da feira e reposicioná-la como referência global no universo da bicicleta e da mobilidade elétrica.
Estão já previstos vários workshops com participantes do setor para definir os próximos passos, incluindo questões como o posicionamento no calendário internacional e o formato ideal da feira.
Neste contexto, a edição de 2026 funciona como um teste real. Um primeiro passo visível para validar decisões e preparar a mudança mais profunda que deverá surgir já no ano seguinte.
A Eurobike tenta assim recuperar centralidade num mercado onde a oferta de eventos aumentou e se diversificou. A aposta passa por mais foco, melhor organização e maior utilidade para quem participa.



