Mathieu van der Poel, da Alpecin-Deceuninck, conquistou a terceira vitória consecutiva na E3 Saxo Classic, num final de cortar a respiração. O corredor neerlandês, que era o grande favorito, lançou um ataque a solo a mais de 60 quilómetros da meta, mas chegou a estar a 10 metros de ser alcançado por um quarteto perseguidor no último quilómetro. Só que, com espanto, nenhum dos elementos que o integravam – Per Strand Hagenes (Visma | Lease a Bike), Florian Vermeersch (UAE Emirates XRG), Jonas Abrahamsen (Uno-X Mobility) e o integrante da fuga original, Stan Dewulf (Decathlon) – quis fazer um último esforço para fechar o espaço e assim permitiram que Van der Poel conseguiu segurar a vitória.

PUB

A corrida começou a definir-se após uma hora de várias ofensivas, quando uma fuga de seis ciclistas se formou. O grupo era composto por Stan Dewulf (Decathlon CMA CGM), Bastien Tronchon (Groupama – FDJ United), Luke Durbridge (Jayco AlUla), Sven Erik Bystrom (Uno-X Mobility), Nickolas Zukowsky (Q36.5) e Michiel Lambrecht (Flanders – Baloise). O pelotão, liderado pela Alpecin-Premier Tech, permitiu que a vantagem chegasse aos três minutos.

PUB

A corrida aqueceu na subida do Taaienberg, com uma aceleração de Tim van Dijcke (Red Bull-BORA-hansgrohe), prontamente seguida por Mathieu van der Poel. Os dois alcançaram um grupo intercalado onde seguiam, entre outros, Anthony Turgis (TotalEnergies) e Edward Planckaert (Alpecin-Premier Tech). Entretanto, um incidente mecânico de Florian Vermeersch (UAE Emirates XRG) obrigou a sua equipa a trabalhar na frente do pelotão.

O momento decisivo aconteceu no Boigneberg, a 64 quilómetros do final, quando Van der Poel atacou e se isolou dos seus companheiros. O tricampeão em título da prova iniciou então uma perseguição aos fugitivos, que alcançou antes da subida ao Paterberg. Foi aí que, aproveitando as rampas mais inclinadas, se isolou definitivamente na frente da corrida.

Atrás, formou-se um grupo perseguidor com Per Strand Hagenes (Visma Lease a Bike), Jonas Abrahamsen (Uno-X Mobility) e Florian Vermeersch (UAE Team Emirates XRG), que alcançaram Stan Dewulf a cerca de 30 quilómetros da meta. Este quarteto reduziu a desvantagem para menos de 30 segundos a dez quilómetros do fim, enquanto equipas como a Groupama – FDJ United e a Red Bull-BORA-hansgrohe tentavam organizar a perseguição no pelotão principal.

Quando, enfim, a 1 quilómetro da meta, estavam a apenas 10 metros de Van der Poel, com este praticamente derrotado, nenhum quis fazer o último revezamento para fechar o espaço para o neerlandês, e este continuou na frente até cruzar a meta. Um final surpreendente!

No final, os protagonistas deste autêntico golpe de teatro justificaram-se…

Per Strand Hagenes (Visma): “Para mim, o segundo lugar é um grande resultado. O Vermeersch queria que o Abrahamsen fizesse mais uma puxada, ele não quis, eu também não… é assim que funciona nas corridas.”

Florian Vermeersch (UAE Emirates): “Eles decidiram arriscar e, naquele momento, eu disse que não seria eu a reduzir a diferença para o Mathieu com o meu último esforço. Estou feliz com o pódio.”

E o agradecido vencedor… Mathieu van der Poel (Alpecin): “A dada altura, já não me sentia bem. Continuei a pedalar ao meu ritmo. A cerca de um quilómetro da chegada, pensei que me iriam alcançar. Sabia que já não conseguiria vencer ao sprint, por isso mantive-me sentado e pedalei o mais forte que pude até ao fim. Houve um momento em que pensei realmente que terminaria em quinto. Sei o quão difícil é pedalar sozinho aqui.”