À margem do arranque da Volta à Catalunha, o espanhol Carlos Verona, da Lidl-Trek, abordou em entrevista ao jornal Marca vários temas da atualidade, desde a sua relação especial com a prova catalã até às ambições da sua equipa, passando pela admiração por Tadej Pogacar e a parceria com o compatriota Juan Ayuso.

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Com 33 anos, Verona é um veterano na Volta à Catalunha, prova que considera ter um carinho especial. “Para mim, é uma corrida especial, esta é a minha décima terceira participação, não falhei nenhuma edição desde 2013, ano da minha estreia no WorldTour”, afirmou o ciclista, que este ano desempenha um papel de gregário para os líderes da sua equipa, como Mattias Skjelmose.

O espanhol considera a prova uma das mais duras do calendário. “Penso que, entre as corridas de uma semana, é certamente a mais difícil do ano devido ao seu traçado. A frescura é determinante”, explicou, acrescentando que “o vencedor será um dos grandes nomes do pelotão”.

Apesar do papel de apoio, Verona não descarta uma oportunidade pessoal. “Provavelmente não temos o grande favorito à geral, dada a presença de Vingegaard, por isso talvez tenhamos de jogar as nossas cartas de longe. Se surgir uma oportunidade, não hesitarei em aproveitá-la, porque estou em boa forma. De qualquer modo, o meu objetivo é dar 110% pela equipa”, garantiu.

Juan Ayuso, a parceria e as ambições da Lidl-Trek

Carlos Verona falou também sobre o colega de equipa e compatriota Juan Ayuso, que sofreu uma queda no Paris-Nice, e assegurou que o companheiro de equipa está recuperado: “Treinei com ele e achei-o em forma, recuperado tanto do golpe físico como do moral. Isto vai permitir-lhe crescer como corredor e aprender a gerir os momentos difíceis”.

Para o experiente corredor, as adversidades fazem parte do desporto. “As quedas, as doenças e os momentos difíceis fazem parte deste desporto. É precisamente isso que o torna interessante: não é linear”, refletiu, sublinhando a boa relação com Ayuso. “Divertimo-nos muito. Para mim, é uma lufada de ar fresco. Treinar com ele é quase como um jogo. Nesse sentido, faz-me lembrar o Alejandro Valverde”, confessou.

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Com o reforço do patrocinador Lidl, a equipa tem agora novas ambições, nomeadamente para a Volta a França. Verona acredita que um pódio é possível, embora reconheça a dificuldade. “É claro que Pogacar e Vingegaard estão um degrau acima, mas o ciclismo é imprevisível. Numa grande volta de três semanas, tudo pode acontecer”, afirmou.

O investimento da Lidl trouxe uma “base muito sólida” à equipa. “Em quase 16 ou 17 anos de carreira, nunca tive tantos recursos à minha disposição. São pequenos detalhes, mas que fazem toda a diferença: os estágios em altitude, o material, a busca constante pela velocidade, o uso do túnel de vento… Há um investimento considerável”, concluiu Verona, destacando que a Lidl-Trek “ainda tem margem para progredir”.

Carlos Verona teceu rasgados elogios a Tadej Pogacar, considerando-o “provavelmente o melhor da história” e mostrando-se impressionado com a recuperação na clássica Milão-Sanremo. Verona acredita ainda que o esloveno irá conquistar os cinco Monumentos do ciclismo antes de terminar a carreira.

Verona destacou a incrível capacidade de Pogacar na Milão-Sanremo, onde, após uma queda num momento crucial, conseguiu não só recuperar, mas também assumir a liderança do pelotão. “Podemos imaginar perfeitamente o nível de velocidade e tensão na Milão-Sanremo: toda a gente luta para se posicionar na frente. E ver um ciclista cair num momento chave e ser capaz de recuperar como ele fez na Cipressa é algo incrível”, afirmou.

O espanhol sublinhou a gestão da situação por parte de Pogacar: “Não apenas pela forma como regressou, mas também pela maneira como geriu a situação: alcançar o pelotão, assumir a liderança e depois escapar… parece-me algo ao alcance de muito poucos, praticamente só dele. Penso que isto reflete ainda mais o tipo de ciclista que ele é”.

Para Verona, a presença de atletas como Pogacar, apesar de poder reduzir a incerteza competitiva, engrandece a modalidade. “No final, estes ciclistas fora de série trazem muito ao desporto. É isso que devemos reter”, defendeu, acrescentando que é um “verdadeiro prazer” vê-lo competir. “Espero que continue a enriquecer o palmarés, embora não deva durar demasiado tempo para que o leque de possibilidades se alargue um pouco mais”.

Verona não tem dúvidas: “Pogacar conseguirá vencer os cinco Monumentos. No final, com o nível que tem, nada lhe pode resistir”. E conclui que, enquanto o esloveno mantiver estes objetivos, “ainda tem muitos recursos para explorar”.

Crédito da imagem: Carlos Verona/Instagram – https://www.instagram.com/p/DVtlVRqDa6F/?img_index=1