Bruno Armirail confessou-se perplexo com o 26.º lugar que obteve no contrarrelógio dos Campeonatos do Mundo em Montréal, no último domingo, especialmente depois de ter atingido valores de potência que, segundo ele, estiveram perto do recorde pessoal durante os 39,2 quilómetros da prova.
A confusão do tricampeão francês era notória em declarações à Eurosport na zona mista. “Sinceramente, senti-me muito bem, debitei imensa potência. Não compreendo, não sei o que se passa”, afirmou Armirail. “A minha posição aerodinâmica era a normal e, por norma, sou muito aerodinâmico.”
O corredor de 32 anos ficou a 2.45 minutos do vencedor, o belga Remco Evenepoel, e a 1.32 do seu compatriota Paul Seixas, que conquistou a medalha de bronze. A surpresa com o resultado foi evidente desde o primeiro ponto intermédio. “Quando vi o meu lugar no primeiro controlo intermédio, era 26.º… Tendo em conta como me sentia, pensei que estaria entre os três primeiros. Por isso, quando vi aquilo, pensei: “Bem, algo se passa aqui, não é possível”. Não sei como explicar”, desabafou.
“Em termos de sensações e da potência que consegui gerar, estive muito bem. Tive uma média de 436 watts durante 47 minutos, creio que é praticamente o meu recorde pessoal», revelou.
“Senti-me muito bem, por isso não sei como explicar. Pensei que estava entre os três ou cinco primeiros no primeiro ponto intermédio, mas depois vi que era 26.º. Perguntei-me se teria havido um erro na cronometragem. Não compreendo. Publico todos os meus dados no Strava, talvez alguém os possa analisar.”
Armirail chegou a questionar se o equipamento teria sido um fator, uma vez que não utilizou o mesmo fato de competição da equipa, a Visma | Lease a Bike. “No que diz respeito à aerodinâmica, pode ter havido um problema. É verdade que aqui usamos os fatos da federação, não os da nossa equipa. Mas, por outro lado, o Paul [Seixas] conseguiu um resultado muito bom, portanto…”, ponderou, em declarações citadas pelo L’Équipe
“Vou falar com ele sobre os seus dados de desempenho e como conseguiu. Também sabemos que certos fatos são mais rápidos para uns ciclistas do que para outros. Vou analisar tudo isso”, disse.
O corredor da Visma tinha ambições de um bom resultado em Montréal, depois de um oitavo lugar no Mundial do ano passado em Kigali e de um nono nos Europeus. O estado de forma parecia promissora após terminar a Vuelta a España, onde foi sétimo no contrarrelógio final em Jerez de la Frontera.

