O britânico Simon Yates, campeão em título da Volta a Itália e vencedor da Vuelta2018, anunciou esta terça-feira que vai colocar um ponto final na carreira profissional aos 33 anos, revelou a sua equipa, a Visma-Lease a Bike.

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“Decidi retirar-me do ciclismo profissional. Pode ser uma surpresa para muitos, mas não é uma decisão tomada de ânimo leve. Tenho pensado nisto há bastante tempo e agora senti que era o momento certo para sair do desporto”, escreveu Yates numa carta divulgada no site da formação neerlandesa.

O ciclista despede-se do pelotão com 36 vitórias como profissional, entre as quais se destacam os triunfos na geral da Vuelta2018 e do Giro2025.

“O ciclismo faz parte da minha vida desde que me lembro. Desde as voltas no velódromo de Manchester, passando pelas vitórias nos maiores palcos do mundo, até representar o meu país nos Jogos Olímpicos, esta modalidade moldou todos os capítulos da minha vida”, recordou.

Vencedor de 11 etapas em grandes Voltas e do Tirreno-Adriático em 2020, Yates garantiu sentir-se “profundamente orgulhoso” do percurso feito, sublinhando que não foram apenas as vitórias que o marcaram, mas também “os dias mais difíceis e os contratempos”, que lhe ensinaram “resiliência e paciência” e tornaram os sucessos ainda mais especiais.

O britânico deixou ainda palavras de agradecimento à Visma-Lease a Bike pela “compreensão e apoio”, destacando que a equipa lhe deu “a oportunidade de reescrever” a sua própria história.

“Saio do ciclismo profissional com um enorme orgulho e uma sensação de paz. Este capítulo deu-me muito mais do que alguma vez imaginei. Levo comigo momentos e memórias que vão ficar para além das corridas e para tudo o que vier a seguir”, assegurou.

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Do lado da equipa, o diretor desportivo Grischa Niermann lamentou a decisão, considerando “uma pena” a retirada de Yates, a quem descreveu como um “trepador excecional”, lembrando o triunfo no Giro.

O anúncio surge numa altura pouco habitual, já com a nova temporada em andamento, quando a maioria dos ciclistas costuma anunciar a retirada apenas no final do ano.

A ligação de Simon Yates ao ciclismo começou cedo, depois de o pai, John, ter sofrido um acidente de bicicleta. Para se manter ligado à modalidade, levou os gémeos Simon e Adam ao velódromo de Manchester, quando tinham pouco mais de 10 anos.

Até 2020, o percurso dos irmãos Yates foi praticamente lado a lado. Nascidos a 7 de agosto de 1992, em Bury, nos arredores de Manchester, foram colegas de equipa nas várias versões da Mitchelton-Scott, chegando mesmo a usar óculos de cores diferentes para que fossem facilmente distinguidos.

Enquanto Adam seguiu para a INEOS e acabou por ganhar maior projeção mediática, apesar de ter menos resultados em grandes Voltas, Simon manteve-se fiel à estrutura australiana, da qual só saiu em 2025.

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Na temporada passada, voltou a surpreender o mundo do ciclismo com um ataque ousado na penúltima etapa do Giro, movimento que lhe garantiu a vitória final e simbolizou um verdadeiro “fechar de ciclo”, depois do colapso marcante em 2018, quando perdeu mais de 38 minutos no Colle delle Finestre e a ‘maglia rosa’ que vestiu durante 13 dias.

A carreira de Yates ficou também marcada por um controlo antidoping positivo em março de 2016, no Paris-Nice, devido à presença de terbutalina. O britânico acabou suspenso por quatro meses, depois de se comprovar que o erro esteve na falha dos médicos da Orica GreenEdge em comunicar o uso do medicamento para tratar a asma.

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