A possível participação de Paul Seixas, de apenas 19 anos, na próxima edição da Volta a França está a gerar um intenso debate no mundo do ciclismo. Bernard Hinault, o último francês a vencer o Tour em 1985, considera prematuro lançar o jovem prodígio da Decathlon na principal prova do calendário, alertando para a enorme pressão mediática e desportiva.

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Numa entrevista ao jornal Ouest-France, Hinault reiterou a sua posição, que já havia expressado há cinco meses, mostrando-se cauteloso apesar de reconhecer o talento excecional do ciclista.

“É demasiado cedo para dizer que vai ganhar o Tour”, declara.

Para o antigo campeão, as expectativas em torno de Seixas são desmedidas. “Estão a colocar-lhe uma pressão brutal… Toda a gente já o vê a ganhar o Tour, e se ele participar, não vai ter pela frente adversários quaisquer”, afirmou Hinault.

“Apresentado desta forma, o risco para o Seixas é não ganhar o Tour. E ir lá só para aprender, dado o seu temperamento, não me parece muito credível… Portanto, se eu estivesse no lugar dele, começaria por fazer outra Grande Volta, para me testar e, quem sabe, tentar ganhá-la”.

Nesse sentido, Hinault sugere que Paul Seixas deveria estrear-se na Vuelta a Espanha, uma prova considerada menos exigente e com uma lista de participantes geralmente menos forte do que o Tour ou o Giro. O antigo ciclista acredita mesmo que Seixas poderia “tentar ganhá-la” logo na sua primeira participação.

Esta estratégia seguiria os passos de outros jovens talentos como Tadej Pogacar e Isaac Del Toro (UAE Emirates XRG), que também se estrearam em Grandes Voltas na Vuelta, em 2019 e 2024, respetivamente. “Não lhe coloquemos demasiada pressão”, pediu Hinault.

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Apesar de apreciar o estilo «atacante» do jovem de Lyon, Hinault prefere não o apontar já como o seu sucessor. “Gostaria que fosse ele, porque quarenta anos sem uma vitória não é normal. Mas ainda é demasiado cedo para dizer que ele vai ganhar o Tour”, concluiu.

Crédito da imagem: Strade Bianche/X