Andreas Seewald conquistou este sábado o Mundial de XCM 2026, em Fiera di Primiero, em Itália, depois de atacar antes de metade dos 95 quilómetros e completar grande parte da prova isolado.
Portugal teve em José Dias o melhor representante. O português terminou em 21.º, com 4h50m53s, ficando às portas do top 20 num percurso com cerca de 4.000 metros de desnível acumulado. Diogo Graça foi 52.º, em 5h11m00s.

O Mundial deixou ainda um marco técnico: Seewald venceu com uma KTM Scarp Evo 4 32 Prototype, tornando-se o primeiro campeão mundial de uma prova de BTT com rodas de 32 polegadas.
A prova masculina reuniu 121 corredores para 95 quilómetros em redor de Fiera di Primiero e San Martino di Castrozza.
Seewald integrou inicialmente um grupo com nomes como Keegan Swenson, Jordan Sarrou e Martin Fanger, mas o movimento decisivo surgiu no caminho para Forcella Calaita.
Ao quilómetro 43, o alemão já seguia sozinho.
Atrás, formou-se um grupo de perseguição com vários italianos, além de Swenson, Tristan Nortje, Wout Alleman e Sarrou, mas ninguém conseguiu voltar a alcançar Seewald.
O alemão terminou em 4h33m47s e conquistou o segundo título mundial de XCM da carreira, cinco anos depois da vitória de 2021.
José Dias fica a poucos segundos do top 20
José Dias completou um Mundial consistente e terminou como melhor português.
O 21.º lugar, com 4h50m53s, colocou-o imediatamente fora do top 20, num percurso particularmente exigente pela distância e pelo desnível.
Diogo Graça terminou em 52.º, numa estreia em Campeonatos do Mundo que a equipa técnica portuguesa considerou encorajadora.
Guilherme Mota abandonou depois de problemas mecânicos na fase inicial da corrida.
Mário Costa, selecionador nacional, destacou precisamente o resultado de José Dias e a estreia de Diogo Graça, considerando a participação global positiva apesar das desistências.
Itália domina o top 5, mas fica sem o título
A seleção italiana colocou quatro corredores imediatamente atrás de Seewald.
Gioele De Cosmo foi segundo, a 3m11s, e Jakob Dorigoni terminou em terceiro, a 3m12s.
Diego Rosa foi quarto e Davide Foccoli quinto.
Apesar da forte presença italiana, Seewald conseguiu manter a vantagem criada ainda antes de metade da corrida e não voltou a ser alcançado.
Top 10 masculino
- Andreas Seewald — Alemanha — 4h33m47s
- Gioele De Cosmo — Itália — +3m11s
- Jakob Dorigoni — Itália — +3m12s
- Diego Rosa — Itália — +3m55s
- Davide Foccoli — Itália — +4m40s
- Martin Stošek — República Checa — +6m10s
- Keegan Swenson — Estados Unidos — +7m22s
- Dario Cherchi — Itália — +7m43s
- Héctor Leonardo Páez — Colômbia — +9m21s
- Lorenzo Samparisi — Itália — +9m43s
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KTM de 32 polegadas faz história no Mundial
A vitória de Seewald teve também uma importância técnica pouco habitual.
O alemão correu com a KTM Scarp Evo 4 32 Prototype, uma bicicleta de suspensão total ainda em desenvolvimento e construída em torno de rodas de 32 polegadas.
O protótipo já tinha aparecido anteriormente em competição, nomeadamente na Swiss Epic, mas o Mundial de XCM representou a sua maior validação desportiva até agora.
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A bicicleta utilizada por Seewald combinava quadro em carbono com rodas DUKE Lucky Jack SLS5 de 32″, pneus Schwalbe Race Pro e uma suspensão frontal FOX RAD protótipo desenvolvida especificamente para este diâmetro.
Atrás, a suspensão era assegurada por um amortecedor FOX Float Factory.
A transmissão era SRAM XX SL Eagle Transmission, enquanto a travagem ficava a cargo de Shimano XTR M9200.
O quadro incluía também um compartimento interno no tubo diagonal para ferramentas e material de reparação.
A KTM ainda não apresentou esta bicicleta como modelo de produção, pelo que continua a tratar-se de um protótipo.
O que significam as rodas de 32 polegadas?
A vitória não prova por si só que 32” sejam superiores às atuais 29″.
O maior diâmetro pode ajudar a ultrapassar obstáculos e a conservar velocidade em determinadas situações, algo potencialmente interessante numa disciplina de longa distância como o XCM.
Mas também cria compromissos em peso, geometria, altura da frente e disponibilidade de componentes.
É precisamente por isso que a presença destas bicicletas continua, por enquanto, muito ligada a protótipos de competição.
Anna Weinbeer domina corrida feminina
Na prova feminina, Anna Weinbeer conquistou o título mundial depois de passar mais de 70 quilómetros na liderança.
A suíça completou os mesmos 95 quilómetros e cerca de 4.000 metros de desnível em 5h30m54s.
Claudia Peretti foi segunda, a 3m53s, enquanto Mona Mitterwallner completou o pódio a 8m19s.
Melissa Maia era a representante portuguesa, mas foi obrigada a abandonar devido a uma indisposição física.

KTM também vence entre as mulheres
A vitória feminina completou um Mundial particularmente forte para a KTM.
Seewald venceu com a Scarp Evo 4 32 Prototype, enquanto Weinbeer utilizou uma Scarp de 29 polegadas.
A marca terminou assim com os dois títulos elite, mas através de duas soluções de roda diferentes.
Top 5 feminino
- Anna Weinbeer — Suíça — 5h30m54s
- Claudia Peretti — Itália — +3m53s
- Mona Mitterwallner — Áustria — +8m19s
- Melisa Rollins — Estados Unidos — +10m34s
- Savilia Blunk — Estados Unidos — +11m56s
Campeonato do Mundo de XCM 2026
- Local: Fiera di Primiero / San Martino di Castrozza, Itália
- Distância: 95 km
- Desnível: cerca de 4.000 m
- Campeão mundial masculino: Andreas Seewald
- Tempo: 4h33m47s
- José Dias: 21.º, 4h50m53s
- Diogo Graça: 52.º, 5h11m00s
- Bicicleta de Seewald: KTM Scarp Evo 4 32 Prototype
- Rodas: 32″
- Campeã mundial feminina: Anna Weinbeer
- Tempo feminino: 5h30m54s
- Melissa Maia: desistência

