A época aquém das expectativas de Antonio Tiberi não passou em claro na estrutura da Bahrain. Em declarações à Lega del Ciclismo Professionistico, o diretor desportivo Franco Pellizotti fez um balanço duro do rendimento do ciclista italiano de 25 anos, alertando que a margem de erro está a esgotar-se face ao crescimento de outros valores no seio da equipa.
“Esperávamos muito do Antonio, mas ele passou praticamente despercebido em muitas corridas”, começou por apontar Pellizotti, deixando um aviso direto: “A partir de agora, não se pode dar ao luxo de cometer mais passos em falso. Também temos outros jovens talentos a emergir na equipa.”
O início de ano até tinha deixado indicações animadoras após um 2025 difícil, com Tiberi a vencer a etapa de montanha em Jebel Mobrah no UAE Tour e a terminar em segundo da classificação geral, apenas atrás de Isaac del Toro. Contudo, esse momento de forma esfumou-se no Tour de France, prova onde o italiano foi um elemento discreto: terminou em 37.º na geral em Paris, a mais de três horas de Tadej Pogačar, longe da luta pelo topo e sem discutir triunfos em etapas.
Pellizotti admitiu que a equipa pode ter errado na definição do calendário ao enviar o corredor para França em vez do Giro de Itália – prova onde Tiberi havia sido quinto da geral e melhor jovem em 2024 -, justificando que “para um ciclista italiano, o Giro oferece uma motivação maior”. Não obstante, o diretor desportivo lamentou a postura do atleta no Tour após perder a hipótese da geral: “Deveria, pelo menos, ter lutado por vitórias em etapas. Podia ter entrado em fugas. Em vez disso, esteve sempre a perseguir.”
A reta final de temporada trouxe alguns sinais de recuperação, com presenças no top 10 das clássicas de outono em Itália e o segundo lugar na geral da CRO Race, a apenas quatro segundos do vencedor Tobias Svarre, além do triunfo na classificação da montanha. Ainda assim, a irregularidade de Tiberi contrasta com a afirmação de outros elementos da Bahrain: Lenny Martinez concluiu o Tour de 2026 no quinto posto, Jakob Omrzel, de 20 anos, venceu uma etapa e foi sétimo na sua estreia na Vuelta a Espanha, e o português Afonso Eulálio brilhou no Giro, onde envergou a camisola rosa durante nove dias, terminando em sexto da geral e como o melhor jovem.
O corredor já apontou baterias ao regresso a uma corrida com boas memórias. “Estou a trabalhar para voltar ao meu nível de 2024 e, porque não, fazer ainda melhor”, afirmou Tiberi em declarações à Sky Sport.

