Tadej Pogacar regressa à Volta a França com a ambição de alcançar um marco histórico: conquistar a sexta vitória na prova e isolar-se como o ciclista mais titulado de sempre na competição. Perante a revelação do percurso e as leituras de que o traçado procuraria travar o domínio do esloveno, o diretor desportivo da UAE Emirates XRG, Joxean Fernández Matxín, abordou o desenho da corrida e o leque de adversários que se perfilam no horizonte.
Em declarações prestadas à Eurosport, o responsável da formação dos Emirados explicou compreender a intenção dos organizadores em desenhar etapas que evitem decisões precoces na classificação geral.
“Creio que os organizadores querem garantir que a corrida não fique decidida na quarta etapa. Compreendo a perspetiva deles”, começou por afirmar Matxín, rejeitando, contudo, fazer previsões exatas sobre o desenrolar da prova.
Para sustentar a sua análise sobre o modelo adotado no percurso, o diretor da UAE recordou uma situação similar da edição anterior com a passagem pelo Tourmalet, explicando que a inclusão de subidas mais suaves a seguir a rampas duras nem sempre trava a criação de diferenças.
“No ano passado, quando explicaram que desenharam a etapa do Tourmalet para evitar que a Volta a França ficasse sentenciada, vi a questão de outro prisma”, recordou, detalhando a mecânica da corrida: “Se tivermos uma subida dura e depois uma subida a 3%, ninguém vai realmente descolar ninguém nesses 3%. Ficarão para trás mais cedo, e quem perde meio minuto no final acaba por perder três.”
Ainda assim, Matxín reforçou a legitimidade das decisões da organização: “Essa é a minha perspetiva. Não estou a dizer que consigo prever o futuro, porque não consigo de todo. Se me perguntarem o que pode acontecer, não saberia o que dizer. Mas compreendo que os organizadores queiram formatos que mantenham a corrida em aberto durante o máximo de tempo possível, até ao fim.”
No que toca aos potenciais concorrentes ao triunfo final, o dirigente destacou que a lista de candidatos à classificação geral é cada vez mais vasta, incluindo nomes como Jonas Vingegaard (Visma), Remco Evenepoel, Isaac del Toro e a recente revelação Paul Seixas.
“Nunca apontaria um ciclista como o principal rival, porque, tal como o Seixas surgiu este ano, outro qualquer pode surgir”, alertou Matxín, recusando individualizar a luta pela camisola amarela apenas na jovem promessa francesa.
Matxin relembrou ainda o impacto dos imprevistos na alta competição, apontando que as quedas condicionaram os favoritos recentemente: “Jonas Vingegaard tem sido o rival habitual, mas não o foi este ano devido a uma queda. E Tadej não venceu a Vuelta por causa de outra queda. São circunstâncias que podem mudar rapidamente no ciclismo.”
Por esse motivo, a UAE Emirates prefere olhar para a concorrência como um bloco alargado de pretendentes. “No ano passado falávamos do Jonas como o rival, mas agora tem sido Remco Evenepoel. Não devemos descartar o Remco ou o Jonas e, obviamente, não devemos ignorar o Seixas, que teve uma afirmação brilhante. Não creio que devam concentrar-se em apenas um ciclista, mas sim no grupo global de candidatos à classificação geral”, frisou.

