Matthew Brennan criticou duramente a União Ciclista Internacional (UCI) pela falta de ação após a morte do ciclista britânico Finlay Tarling. A morte de Tarling, num acidente durante ua Volta a Portugal, é considerada um dos momentos mais sombrios do ano no ciclismo profissional e gerou revolta pela inércia das entidades responsáveis.
“Foi muito triste o que aconteceu com o Fin. Estávamos a ver o funeral dele e eu disse a um amigo: ‘É tão triste termos perdido alguém tão especial e, ao mesmo tempo, nada ter mudado'”, declarou Brennan à BBC.
Finlay Tarling, que tinha 19 anos quando faleceu, foi homenageado na quinta-feira em Aberystwyth. O antigo ciclista da equipa de desenvolvimento NSN morreu após colidir com uma carrinha durante a oitava etapa da Volta a Portugal. O veículo entrou no percurso da corrida em sentido contrário, depois de populares terem informado o condutor de que todos os ciclistas já tinham passado. O condutor não sabia da presença de Tarling, que seguia mais atrasado, e a colisão frontal ocorreu numa curva em descida.
A etapa foi neutralizada nesse dia, mas a corrida foi retomada no dia seguinte. Desde então, a UCI não implementou quaisquer alterações significativas para reforçar a segurança.
Brennan considera que o mundo do ciclismo já seguiu em frente, esquecendo a tragédia. “Acho que é uma vergonha. Em vez de alguém nestas organizações dizer: ‘OK, isto nunca mais pode acontecer’, parece que o mundo seguiu em frente, nada mudou e continuam a haver provas com carros no percurso”, lamentou.
O ciclista, que recentemente venceu cinco etapas na sua estreia na Vuelta, sublinhou a urgência de medidas. «É inacreditável, porque perdemos um amigo e quando nada muda é realmente chocante. Acho que estas grandes organizações e a UCI deviam analisar o que precisam de fazer para aumentar a segurança».
Para Brennan, a solução passa pela criação de uma entidade externa. “Na minha opinião, deveria haver uma organização independente que responsabilizasse as organizações, a UCI e todos os outros, com base em regras muito rigorosas que garantam que a segurança dos ciclistas é a prioridade”.
Brennan concluiu, reforçando a sua ideia de uma entidade fiscalizadora: “Acho que uma organização verdadeiramente independente, que possa dizer às equipas se algo é seguro ou se precisa de ser mudado, beneficiaria o desporto e, esperançosamente, evitaria estes tristes e trágicos eventos que aconteceram nos Campeonatos do Mundo [referindo-se à morte de Muriel Furrier em 2024], o que aconteceu com o Fin e todos os outros tristes acontecimentos que ocorrem no desporto”.

