O segundo e último dia de descanso da Volta a Espanha surge num momento particularmente delicado da competição, numa altura em que aumenta a tensão entre o pelotão, as equipas e a organização da prova. Os corredores admitem mesmo avançar para uma greve caso não sejam tomadas medidas mais eficazes para os proteger das elevadas temperaturas que têm marcado a corrida.
A situação agravou-se durante a 14.ª etapa, disputada no sábado sob temperaturas próximas dos 40 graus Celsius. O calor extremo levou corredores e equipas a pedir o encurtamento do percurso, mas a solicitação acabou por ser rejeitada pela organização. Só depois de uma forte pressão das equipas a direção da corrida aceitou reduzir, em 79 quilómetros, o percurso da etapa seguinte.
O episódio provocou um forte descontentamento no pelotão, que considera insuficientes as medidas adotadas para minimizar os riscos associados às altas temperaturas. A ameaça de paralisação mantém-se, caso os organizadores não demonstrem maior sensibilidade perante a saúde e a segurança dos ciclistas.
Em declarações à RTBF, Maxime Monfort, diretor desportivo da Lidl-Trek, não escondeu a frustração com a forma como a situação tem sido gerida.
“Ninguém fala sobre isto. A certa altura, a organização tem de assumir as suas responsabilidades. Há coisas a adaptar. Estamos num ciclismo moderno. Houve ciclistas que foram parar ao hospital, e não se fala disso”, afirmou o belga, defendendo uma maior aposta na prevenção.
Monfort revelou ainda que existia um consenso entre ciclistas e equipas para pedir uma redução de 31 quilómetros na etapa de sábado. No entanto, segundo o diretor desportivo, a proposta chegou demasiado tarde à organização para ser aceite.
A redução do percurso na etapa de ontem e o atual dia de descanso poderão contribuir para aliviar a tensão no pelotão. Resta agora saber se as medidas adotadas serão suficientes para evitar uma paralisação e permitir que a Volta a Espanha entre na sua terceira e decisiva semana com os ânimos mais tranquilos.

