O rancês Julian Alaphilippe, uma das figuras mais carismáticas do pelotão internacional, anunciou o fim imediato da sua carreira profissional aos 34 anos. O bicampeão mundial de fundo em 2020 e 2021, que representava a equipa suíça Tudor, comunicou a decisão através das redes sociais.
“É com o coração apertado que escrevo estas palavras para anunciar o fim da minha carreira desportiva», declarou Alaphilippe, revelando que a decisão foi tomada “após muita reflexão”. O ciclista escolheu um cenário simbólico para a sua despedida: “Tive a honra de terminar este capítulo da minha vida nos Campos Elísios, passando por Montmartre, em Paris, durante a última etapa da Volta a França».
Conhecido pelo seu estilo combativo, ‘Loulou’ termina a carreira com um palmarés de 45 vitórias. Entre os seus triunfos mais notáveis contam-se seis etapas na Volta a França, uma no Giro d’Italia e outra na Vuelta a España. Venceu também clássicas de prestígio como a Flèche Wallonne por três vezes (2018, 2019 e 2021), a Milão-Sanremo (2019), a Strade Bianche (2019) e a Clássica de San Sebastián (2018).
O seu melhor desempenho numa grande volta ocorreu no Tour de 2019, onde liderou a classificação geral durante 14 dias e terminou na quinta posição. No ano anterior, em 2018, venceu a classificação da montanha na mesma prova.
Apesar de ainda ter mais um ano de contrato com a Tudor, equipa do segundo escalão mundial, Alaphilippe decidiu antecipar a sua retirada. O francês juntou-se à equipa suíça após 11 temporadas na estrutura da Soudal Quick-Step, entre 2014 e 2024.
Numa entrevista ao site oficial da sua equipa, o ciclista confessou que a decisão foi tomada por instinto. “É a hora certa. Sempre corri por instinto, atacando quando as minhas pernas queimavam, não quando os números me mandavam. Tomei essa decisão da mesma forma e senti que este era meu último ano. Sem tristeza. Dei tudo de mim e o ciclismo retribuiu-me com tudo”, afirmou.
O ciclista, que é o único gaulês a conquistar dois títulos mundiais de fundo consecutivos, liderou o ranking mundial em 2019, ano em que também foi galardoado com o prémio Velo d’Or. A sua última vitória foi alcançada em setembro de 2025, no Grande Prémio do Quebec.
Olhando para o futuro, Alaphilippe mostrou-se entusiasmado por poder passar mais tempo com a família. “O que mais me entusiasma é finalmente poder aproveitar ao máximo o tempo com o meu filho. Mas, claro, sentirei falta do esforço, dos momentos de camaradagem nos treinos e corridas e da vida em equipa”, reconheceu.
Recorde-se que Julian Alaphilippe competiu por três vezes em Portugal, sempre ao serviço da Tudor, tendo obtido um oitavo lugar na Clássica da Figueira de 2025 e sido distinguido com o Prémio Prestígio pela organização da Volta ao Algarve.

