Após a quinta vitória no Tour de França, Tadej Pogacar continua a cimentar o lugar na história do ciclismo, ao lado de lendas como Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain. Com uma ambição declarada de se tornar o melhor ciclista de todos os tempos, o esloveno da UAE Emirates parece estar a cumprir metodicamente uma lista de objetivos históricos, diminuindo a cada época os desafios que lhe restam.
A Vuelta como objetivo imediato
O próximo passo mais evidente na carreira de Pogacar é a participação e vitória no Tour de Espanha. Este objetivo ganha relevância pelo facto de o seu grande rival, Jonas Vingegaard (Visma | Lease-a-Bike), já ter conquistado as três grandes Voltas. Parecendo intocável em corridas de três semanas, espera-se que, salvo quedas ou doenças, Pogacar se junte ao restrito clube de vencedores do Tour, Giro e Vuelta, que inclui nomes como Eddy Merckx, Alberto Contador, Chris Froome e o próprio Vingegaard.
O sonho dos cinco Monumentos
Talvez o maior sonho de Pogacar seja completar a coleção dos cinco Monumentos, faltando-lhe apenas a Paris-Roubaix. Este é um feito de extrema raridade, alcançado apenas por três ciclistas belgas: Rik Van Looy, Roger De Vlaeminck e Eddy Merckx. Nas duas participações no Inferno do Norte, Pogacar terminou no segundo lugar. Para triunfar, terá de superar especialistas como Wout van Aert (Visma | Lease-a-Bike) e Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech), o que poderá exigir uma chegada a solo ao velódromo e, talvez, um aumento de peso para ser mais eficaz nos setores de pavé, com possíveis implicações no seu rendimento em corridas por etapas.
Um feito inédito: as Big Seven
Um recorde nunca antes alcançado na história do ciclismo é vencer as sete corridas por etapas de uma semana mais prestigiadas: Paris-Nice, Tirreno-Adriático, Volta à Catalunha, Volta ao País Basco, Volta à Romandia, Tour Auvergne – Rhônes-Alpes e a Volta à Suíça. Pogacar já venceu a Romandia e a Suíça esta época, mas a Itzulia (Basco) continua a faltar no palmarés, prova que poderia ter vencido em 2021 se não se tivesse sacrificado pelo colega de equipa McNulty. O principal obstáculo é o calendário, pois a corrida basca coincide frequentemente com a Paris-Roubaix, forçando uma escolha entre os dois objetivos.
A caça a outros recordes
Além destes grandes feitos, Pogacar tem outros recordes ao seu alcance. Na Volta à Lombardia, onde já partilha o recorde de cinco vitórias com Fausto Coppi, uma nova vitória torná-lo-ia o recordista isolado. Os 19 Monumentos de Eddy Merckx também estão na mira do esloveno, que atualmente soma 13 e, dada a sua idade, tem boas hipóteses de o alcançar.
Outro marco seria igualar o recorde de três vitórias consecutivas no Campeonato do Mundo de fundo, um feito apenas conseguido por Peter Sagan. Se Pogacar vencer a prova em Montreal, igualará o eslovaco, juntando-se também ao grupo de ciclistas que conquistaram o título mundial por três vezes.
O recorde de vitórias em etapas na Volta a França está ao alcance do ciclista esloveno, que já soma 26 triunfos, aproximando-se das 35 vitórias de Cavendish. Mantendo a sua média de aproximadamente quatro vitórias por edição desde 2020, o esloveno poderá superar o ciclista da Ilha de Man em apenas mais três participações no Tour.
Apesar da proximidade do recorde, este não parece ser uma prioridade para o atleta. Prova disso foi a sua atitude na edição de 2026, onde poderia ter somado mais três vitórias. Em vez disso, optou por oferecer a vitória na segunda etapa ao colega de equipa, del Toro, e atuou como um gregário de luxo para o ajudar na conquista da camisola branca.
Além do recorde de etapas, o ciclista está a apenas uma vitória final de se tornar o detentor isolado do maior número de triunfos na Grande Boucle. Resta saber se o seu objetivo será ainda mais ambicioso, procurando ultrapassar as sete vitórias de Lance Armstrong, que já não constam no palmarés oficial da prova. O futuro o dirá.
