João Almeida garante estar a 100 por cento para a segunda metade da temporada, após meses complicados devido a um vírus. O corredor da UAE Emirates, que regressa esta segunda-feira na Volta à Polónia, tem como grande objetivo a Volta a Espanha, que começa a 22 de agosto.
“Sinto-me bastante bem, numa forma muito boa. Esforcei-me muito nestes meses e acho que estou a 100 por cento”, afirmou o corredor luso numa videoconferência. Com a ambição em alta, Almeida não esconde o seu principal desejo: “Ainda quero ganhar este ano, é aí que a minha cabeça está. Tenho tido bons indicadores e sensação por isso estou confiante”.
Questionado diretamente sobre a possibilidade de vencer a Vuelta, a resposta foi inequívoca: “Sim, a resposta é sim”. No entanto, o foco imediato está na Polónia, uma prova que já venceu. “Vai ser um bom contacto com o pelotão, num país que gosto. Há etapas duras, um contrarrelógio — vai ser bom voltar a competir na bike de crono, tenho trabalhado muito nele. No fundo, estou muito contente por estar de volta”, explicou.
A presença do seu colega de equipa, Tadej Pogacar, na prova espanhola é um fator determinante. “Com ele, a probabilidade de eu ganhar é quase zero, sem ele sobe drasticamente”, admitiu Almeida. “Mas será sempre uma corrida muito boa, dá para desfrutar de ambas as maneiras e, mesmo com ele, posso apontar aos lugares cimeiros”.
O ciclista recordou ainda o período difícil que o afastou do Giro de Itália e a sua participação condicionada no Tour Auvergne Rhône Alpes, em junho. “Sinceramente… não queria muito lá ter ido, mas tinha a corrida no programa. Sabia que não estava em forma, mas dei o meu melhor”, confessou. O abandono na sétima etapa foi uma decisão conjunta com a equipa, pois “chegou a um ponto em que eu já não estava lá a fazer nada”.
Sobre essa fase menos boa, Almeida partilhou uma curiosidade do pelotão. “No ‘grupetto’, em jeito de brincadeira, outros corredores diziam que me estava a habituar mal, que ali não era o meu lugar e que, depois de experimentar o ‘grupetto’, não iria querer outra coisa. Mas eu sabia que não estava em forma”, relatou, concluindo que não ficou desapontado com o desfecho.
Ausente da Volta a França deste ano, após as participações em 2024 e 2025, Almeida acompanhou a prova pela televisão. “Foi um bom Tour. Como equipa estivemos muito bem, mesmo com alguns percalços e doenças. Tive pena pelas quedas do [Jonas] Vingegaard e do [Florian] Lipowitz, acabaram por tirar um pouco da magia da terceira semana”, comentou.
Por fim, o ciclista da UAE Emirates abordou a presença da sua equipa na Volta a Portugal, que arranca esta quarta-feira, considerando-a positiva. “É bom para a corrida, porque aumenta a visibilidade, e para os nossos jovens da equipa de desenvolvimento. Corrida longa, etapas duras, clima duro… vai ser bom para a malta mais nova ter esse contacto”, rematou.

