A segurança dos ciclistas é um tema central no pelotão, especialmente com o aumento das velocidades e dos riscos assumidos em competição. Uma das soluções em estudo é a introdução de um airbag, um dispositivo usado sob a camisola que, em caso de queda, cria uma bolha de proteção em torno do tronco e do pescoço.
Thierry Gouvenou, diretor desportivo do Tour de França e comissário da UCI, defende que o reforço da segurança é uma prioridade e, em declarações ao jornal Le Dauphiné, previu que o airbag se tornará obrigatório, tal como aconteceu com o capacete.
O ciclista francês Warren Barguil (Picnic PostNL), que participou na recente edição do Tour, já teve a oportunidade de testar um destes equipamentos num rolo de treino e partilhou as suas impressões com a comunicação social.
9️⃣0️⃣ seconds of sending the @LeTour descents ⚡️
📽️ @VelonCC / @NiklasMarkl #TDF2026 pic.twitter.com/r5zlVgmpqv
— Team Picnic PostNL (@picnicpostnl) July 24, 2026
Barguil acredita que o dispositivo pode ser um passo importante para a segurança, embora aponte uma preocupação levantada por Magnus Cort Nielsen. “Ele diz que, por um lado, é bom, mas, por outro, tem receio de que os rapazes arrisquem ainda mais nos sprints por saberem que estão protegidos”, explicou Barguil, admitindo que não tinha pensado nessa perspetiva. “Eu pensei mais na segurança do que em correr ainda mais riscos. Mas é uma coisa boa”, acrescentou.
O ciclista francês está convencido do potencial do equipamento para mudar o panorama das lesões no desporto. “Penso que vai revolucionar uma parte das lesões que podemos ter. É preciso que chegue o mais depressa possível. Têm-no no MotoGP, em muitos desportos, e nós somos um pouco os últimos a tê-lo”, afirmou.
Sobre o conforto do airbag, Barguil considerou-o “suportável”, mesmo que ainda existam “algumas melhorias” a fazer. “Não senti qualquer desconforto no rolo de treino, agora vamos experimentá-los nas estradas de treino”, disse, desvalorizando o peso extra. “É insignificante. Penso que todos os ciclistas preferem estar protegidos, mesmo com este pequeno peso a mais.”
Para Barguil, a segurança é uma prioridade inegociável, uma consciência reforçada pela sua última queda, que descreveu como “a mais grave”.
“Fez-me tomar consciência de muitas coisas. A segurança é super importante», sublinhou. No entanto, prevê uma implementação gradual: «Penso que, no início, a escolha será deixada às equipas. Com as diferentes marcas de têxteis, nem todos terão o airbag desde o começo.”

