Pierre Rolland, antigo vencedor de duas etapas na Volta a França, deixou um aviso contundente aos rivais de Tadej Pogacar, argumentando que a mentalidade por si só não transforma um ciclista num candidato à camisola amarela se a capacidade física não estiver presente.
A análise do francês surge numa altura em que Pogacar se prepara para o Tour após mais uma exibição dominante na Volta à Suíça, onde venceu três etapas e conquistou a classificação geral com uma vantagem de 6 minutos e 32 segundos sobre Richard Carapaz.
Em declarações à RMC Sport, Rolland não teve dúvidas em apontar o seu favorito. “O meu favorito? Não vou ser muito original: Tadej Pogacar. Ele é o mais forte, não nos podemos iludir”, afirmou.
Para Rolland, que se retirou do pelotão profissional no final da temporada de 2022, a questão vai além do favoritismo de Pogacar, centrando-se no que os seus adversários podem realisticamente fazer. Embora a força da equipa e a resiliência mental sejam importantes, o antigo ciclista sublinha que a fisiologia impõe um limite intransponível.
“Vou acabar um pouco com a ideia de todos os que imaginam que basta ter uma mentalidade forte para lá chegar um dia”, explicou Rolland. “Em primeiro lugar, se não se tiver a genética certa, a dada altura atinge-se um limite”.
O francês defende que o potencial para vencer o Tour depende de um ‘motor’ físico de base, e que a mentalidade só se torna útil quando essa capacidade já existe. “Pode-se ter a maior mentalidade do mundo, treinar mais do que todos e tudo o mais, mas se não se tiver o motor para começar, não se pode ser um grande vencedor do Tour”, continuou.
Rolland usou a sua própria carreira como exemplo para ilustrar o seu ponto de vista. Apesar de ter vencido duas etapas no Tour e de ter terminado em oitavo lugar na geral em 2012, ele reconheceu as suas limitações físicas. “Na minha carreira, eu tinha a mentalidade, mas a certo ponto não conseguia ir mais além porque fisicamente não conseguia. Sabia que para além do sétimo ou oitavo lugar no Tour, não conseguiria, porque fisicamente não era capaz”.
No entanto, Rolland não descarta por completo a importância do fator mental. Para ele, a mentalidade é o que distingue um ciclista talentoso daquele que aproveita plenamente esse dom. “Um ciclista talentoso, alguém que é muito, muito, muito forte, se não tiver a mentalidade, não vai otimizar tudo. Não vai tirar 100% de si mesmo”, disse.
Assim, os adversários de Pogacar enfrentam um duplo desafio: precisam não só de ter o nível físico para o igualar ao longo de três semanas, mas também a força mental para o acompanhar nos momentos decisivos. “Portanto, é possível que haja alguém tão forte como o Pogacar, e que o Pogacar esteja mentalmente acima dele. Mas digamos que, sem o lado físico, não se pode aspirar a ser um imenso campeão num desporto de resistência”, conclui Roland.

