A edição de 2026 da Paris-Roubaix confirmou aquilo que se esperava: uma corrida dura, seletiva e decidida apenas entre os nomes mais fortes do pelotão.

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Mas houve muita, muita emoção! Muitos furos também, praticamente todos os principais nomes sentiram problemas mecânicos e ficaram para trás em algum momento…

Que o diga Mathieu van der Poel, o grande “derrotado” do dia… A 95 km do final, sector de pavê de Arenberg, van der Poel fura, o colega Philipsen cede-lhe a bicicleta, mas uma incompatibilidade no encaixe dos pedais impediu a troca.

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Outro colega cede-lhe a roda da frente, faz ele próprio a troca, com MvdP já com minuto e meio de atraso.

Mas escassos metros mais à frente novo furo e dois minutos de atraso… Começou aqui uma recuperação incrível do neerlandês: a 80 km do fim já estava a apenas 1m25s, a 60 km a apenas 1 minuto, e passados 3 km a apenas 30 segundos.

Mas foi então que Pogi começou os ataques. Tentou endurecer a corrida e impor o seu ritmo, mas van Aert manteve-se sempre sólido, sem responder de forma precipitada.

Refira-se que van Aert também furou, neste caso muito cedo na corrida. E Pogacar também teve semelhantes contratempos.

Aliás, o campeão do mundo andou 5 km com uma bicicleta do carro de apoio neutro Shimano, depois de furar e não ter a ajuda do carro da UAE Emirates no momento.

A seleção final da corrida aconteceu já dentro dos últimos kms, com van Aert e Pogacar a isolarem-se na frente. Foram vários km neste registo, com Pogi a tentar fugir várias vezes. O belga colou sempre na roda do esloveno.

Os dois entraram juntos no velódromo de Roubaix, num cenário clássico da prova, com tudo em aberto para a discussão da vitória.

No sprint final, Wout van Aert foi mais forte e garantiu uma vitória muito aguardada, numa das corridas que mais lhe fugia ao longo da carreira.

Atrás, Jasper Stuyven conseguiu segurar o terceiro lugar após atacar a cerca de 3 km da meta, resistindo ao regresso do grupo perseguidor.

Mathieu van der Poel terminou na quarta posição, seguido por Christophe Laporte, completando um top 5 dominado por especialistas das clássicas.

Top 5 Paris-Roubaix 2026:

  1. Wout van Aert
  2. Tadej Pogacar
  3. Jasper Stuyven (+13”)
  4. Mathieu van der Poel (+15”)
  5. Christophe Laporte

Esta vitória representa um marco importante na carreira de van Aert, que finalmente junta a Paris-Roubaix ao seu palmarés. Mais do que isso, terminou a maldição Wout van Aert…

Tem acontecido de tudo ao belga, desde a queda e fratura de tornozelo ainda no ciclocrosse até ser ultrapassado em cima da linha nas clássicas. van Aert protagoniza agora um dos melhores momentos do ciclismo esta temporada.

E bateu… Pogacar! Se o esloveno vencesse, ficaria com os cinco Monumentos no seu palmarés, algo que vai ter de esperar.

Os dois portugueses em prova, António Morgado e Rui Oliveira (ambos UAE Emirates-XRG), terminaram nas posições 116 e 127, respetivamente, a cerca de 15 e 19 minutos do vencedor.