Tadej Pogacar poderá ter partilhado, sem alarido, todas as suas zonas de potência na mais recente atividade publicada no Strava. Algo raro nos corredores profissionais, já que normalmente mantêm esses dados escondidos… da concorrência. Desta vez, porém, o campeão do mundo ficaram visíveis para mais de um milhão de seguidores.
No treino em questão — um percurso de 132 km entre Valência e Calpe, em Espanha — Pogacar registou uma média de 299 watts e chegou a atingir um pico de 800 watts. Nada de muito relevante para o esloveno, mas ainda assim impressionante.
O mais curioso foram as zonas de potência calculadas pela plataforma, que ficaram assim distribuídas:
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Zona 1 (recuperação): 0–237 watts
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Zona 2 (resistência): 238–323 watts
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Zona 3 (ritmo): 324–387 watts
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Zona 4 (limiar): 388–452 watts
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Zona 5 (VO2 máx.): 453–516 watts
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Zona 6 (anaeróbica): 517–645 watts
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Zona 7 (neuromuscular): 646+ watts
Embora estas faixas sejam relativamente amplas — e possam não refletir a realidade com total precisão — parecem alinhar-se com as estimativas que já se sonheciam de Pogacar. Por exemplo, fala-se há algum tempo que o seu FTP (limiar de potência funcional) ronda os 415 watts, valor que encaixa perfeitamente no centro da zona 4.
Numa entrevista ao podcast The Peter Attia Drive, em 2024, Pogacar revelou que a sua zona 2 andava entre os 320 e os 340 watts, mantendo uma frequência cardíaca próxima dos 150 bpm. Valores que batem certo com os dados agora visíveis no Strava.
Ainda assim, o esloveno já deixou claro que não vê as zonas de potência como algo rígido. Afinal, o corpo não funciona como uma máquina. “Depois de cinco horas a pedalar, a Zona 2 já não é a mesma”, explicou.
Acrescentou que, em percursos longos e planos, prefere baixar o ritmo para os 290–300 watts para garantir melhor recuperação no dia seguinte. “Se não, não conseguiria voltar a treinar no dia seguinte, teria de fazer recuperação”, revelou.
Aliás, Pogacar admite que não confia totalmente nos medidores de potência, já que fatores como a temperatura ou a calibração podem influenciar os valores. Desde os 12 anos que treina com monitor de frequência cardíaca e continua a dar prioridade a esse indicador — embora goste de comparar ambos.
No fundo, o Strava calcula as zonas com base no FTP estimado de cada atleta — a potência máxima que se consegue manter durante uma hora. E, ao que tudo indica, os números de Pogacar confirmam aquilo que já se suspeitava: está mesmo num patamar à parte.
Crédito da imagem: Strava




