Jens Voigt analisa o duelo entre Tadej Pogačar e Mathieu van der Poel a partir do tipo de esforço que decide a Milano-Sanremo e a Paris-Roubaix, e não do estatuto dos corredores.
O alemão defende que estas clássicas não se resolvem em subidas longas nem por seleção prolongada em ritmo elevado. Posicionamento, técnica e acelerações muito intensas após várias horas de desgaste costumam pesar mais.
O controlo da bicicleta em alta velocidade, seja em descidas técnicas ou no pavé, também assumem um papel determinante. Nesse cenário, Van der Poel tem mostrado vantagem consistente.
Onde Van der Poel faz a diferença
Os resultados recentes sustentam essa leitura. Van der Poel entra nos momentos decisivos com capacidade para repetir picos de potência acima do limiar e manter velocidade em setores de empedrado ou em zonas técnicas.
Soma a isso decisões rápidas sob fadiga, o que lhe permite criar diferenças em ações curtas e críticas, quando a corrida se parte.
O encaixe menos favorável para Pogačar
Pogačar continua entre os corredores mais completos do pelotão. Ainda assim, a sua superioridade surge sobretudo quando a corrida acumula dureza em subidas longas e esforços prolongados.
Nas clássicas como a Sanremo e o Roubaix, esse tipo de desgaste progressivo raramente decide a prova, o que reduz o impacto da sua principal vantagem estrutural.
Voigt lembra, porém, que as clássicas de um dia dependem muitas vezes de fatores externos, como vento, quedas, cortes ou erros de posicionamento. Esses elementos diminuem o controlo coletivo e abrem espaço a cenários fora do padrão.
Uma tendência, não para um cenário fechado. Com ambos no topo de forma, o desenho da Sanremo e do Roubaix encaixam melhor nas características de Van der Poel.
Pogačar mantém-se na equação, mas precisa mais de circunstâncias de corrida favoráveis para transformar presença em vitória.
| Autor do artigo: | |
|---|---|
| André Canuto |
| Crédito das imagens: | |
|---|---|
| X Paris-Roubaix https://x.com/parisroubaix/status/1969822019148509601/photo/1 |



