De um lado, uma “super leve” entre as elétricas de montanha; do outro, a “full power” de topo da Specialized. Há diferenças na potência que o motor entrega, naturalmente, e também na bateria. Mas a verdade é que estas duas Turbo Levo, cada uma à sua maneira e com a sua finalidade, permitem fazer coisas fantásticas nos trilhos.
Tivemos oportunidade de andar com a Specialized Turbo Levo SL 2 e com a Turbo Levo 4, ambas na versão Pro, durante várias semanas. Apesar de o mau tempo não nos ter deixado fazer o que queríamos, demos umas voltas bastante diversificadas e até as colocámos frente a frente nas mesmas descidas!
A Turbo Levo SL Gen2 a saltar (clica/toca para ver maior):
A Turbo Levo 4 a saltar (clica/toca para ver maior):
Tudo para percebermos claramente o que cada uma destas Turbo Levo consegue fazer, a que tipo de rider se dirige e como responde aos mesmos desafios.
Há diferenças, claro, nenhuma delas é perfeita, mas também há uma certeza geral: ambas descem muito bem… e saltam ainda melhor! Basta ver a vídeo review acima e percebemos isso perfeitamente.
Aqui fica desde já um resumo do que achamos das bicicletas, bem como as especificações de cada modelo na versão Pro, e depois damos-te a conhecer estas duas Turbo Levo ao pormenor.
| A nossa avaliação… |
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A Turbo Levo SL 2 Pro, a custar 7.039 euros, é uma e-BTT leve, dinâmica, pensada para riders que querem continuar a pedalar de forma ativa e sentir a bicicleta viva debaixo dos pés. Ou seja, é a que se aproxima-se mais da experiência de uma bicicleta convencional, com um nível de assistência “moderado”.

A Turbo Levo 4 Pro, por sua vez, é muito mas cara (custa 10.499 euros na versão pro) e é uma e-BTT full-power sem concessões. Poderosa no motor, estável, com grande autonomia e com componentes de topo. Foi pensada para quem quer ir mais longe, subir tudo e descer com máxima segurança e confiança.

Como podem perceber mais à frente, entre estas duas “máquinas” não existe uma vencedora absoluta. Existe sim uma bicicleta certa para cada estilo de utilizador, para cada trilho e para cada tipo de volta: a SL é mais ágil, mais envolvente, mais “rider-focused”; a Levo 4 é mais poderosa, mais estável, mais “trail-destroyer”.
São duas leituras diferentes do mesmo ADN Specialized. E isso, mais do que qualquer número de binário ou capacidade de bateria, é o que realmente importa quando se escolhe como queremos ir para umas boas sessões de trail com uma e-bike.
Optar pela versão Pro ou pela versão S-Works? Se o orçamento for ilimitado, aconselhamos sempre ir para a topo de gama. Mas, basicamente, as grandes diferenças estão na gama da transmissão e das rodas, com a diferença de preço a andar entre os 1.000 e os 2.000 euros, sensivelmente.
Achamos as versões Pro as mais sensatas em termos de relação entre preço, material e desempenho, sendo que optar pelas versões Expert já pode trazer rodas em alumínio e transmissões GX, o que pode desagradar a quem procura ter o melhor numa e-bike de montanha.
Vamos agora aos pormenores.
| Especificações da Turbo Levo SL 2 Pro: | |
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| Especificações da Turbo Levo 4 Pro: | |
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| Review completa |
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Já conhecíamos ambas as bicicletas. Sobre a Turbo Levo 4, aliás, tanto no modelo com quadro em carbono, como este, ou com quadro alumínio, o que não falta aqui no GoRide são “aventuras”: fomos à apresentação oficial na Madeira e estivemos no Tour do Mont Blanc recentemente.
Turbo Levo 4
Sobre a Turbo Levo SL Gen2, sabíamos um pouco menos, mas o suficiente para termos ideia de que uma super light é bem diferente da experiência proporcionada por uma potente full power…
Mas a ideia era compará-las, sim, até porque surge sempre uma pertinente dúvida: será que mais potência significa automaticamente mais diversão?
A única forma de responder era simples: colocar lado a lado a Turbo Levo 4 e a Turbo Levo SL 2, ambas na versão Pro de equipamento, e andar com ambas durante várias semanas, repetir trilhos, subir as mesmas encostas, descer os mesmos segmentos e comparar sensações em contexto real.
Lama, chuva, trilhos degradados, drops, regos de água, raízes… e muitos, muitos saltos! Nada de condições ideais. Apenas utilização “normal”, como aquela que qualquer rider dá a este tipo de e-bike, à partida.
Mas é interessante perceber agora que o resultado é menos óbvio do que parece à primeira vista. Estas são duas bicicletas que partilham ADN, mas que seguem filosofias muito distintas dentro do mesmo universo do trail com uma elétrica.
Turbo Levo SL 2
A Turbo Levo SL 2 Pro é, à primeira pedalada, a que mais se aproxima de uma bicicleta “normal”. O quadro em carbono, com suspensão de 150 mm, mantém proporções equilibradas e permite ajustes de ângulo de direção e altura de movimento pedaleiro.
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É uma plataforma versátil, compatível com uma configuração mullet e que assenta no motor Specialized 1.2 SL Custom RX, que entrega 50 Nm e 320 W de potência.
Este não é um número impressionante no papel, e ainda bem. Porque o que esta bicicleta faz não é empurrar-nos montanha acima, é mais acompanhar-nos. A assistência é progressiva, natural, quase “invisível”, o que nos obriga a termos de pedalar, sim. Para quem quer uma e-BTT que faz lembrar uma bicicleta de trail convencional.

Contudo, esta “falta” de motor recompensa-nos com leveza e agilidade. Com cerca de 18 kg, a SL 2 Pro reage rápido, muda de linha com facilidade e nunca transmite a sensação de massa extra.
A subir, é preciso trabalhar mais do que numa full-power. Temos de escolher melhor a trajetória, manter cadência e aceitar que as pernas continuam a ser decisivas. Mas o baixo peso compensa. Nunca sentimos a bicicleta “pesada” em zonas técnicas.

A bateria de 320 Wh parece limitada quando olhamos apenas para os números. No trilho, a história é diferente. Em modo Eco, conseguimos fazer voltas equivalentes às realizadas com a Levo 4 em modos mais agressivos.
A eficiência do sistema leve da Turbo Levo SL faz a diferença.
Claro que em dias muito longos ou com uso intensivo de assistência, a autonomia será menor. É o compromisso do conceito SL, com o sistema MasterMind TCU a oferecer múltiplas configurações de ecrã, ajustes MicroTune para afinação da assistência e ligações ANT+/Bluetooth.
Mas é a descer que a SL 2 Pro realmente brilha. A bicicleta sente-se viva e a agilidade é evidente. Convida a saltar mais, a mudar linhas, permitindo corrigir erros à última da hora. Pede condução ativa.

É uma e-BTT que recompensa criatividade e técnica. Em trilhos mais técnicos, transmite controlo e confiança não pela estabilidade bruta, mas pela capacidade de resposta imediata.
Clica ou toca aqui para veres todas as fotos de pormenores da Turbo Levo SL » álbum no FlickR
Turbo Levo 4
“Passando” depois para a Turbo Levo 4, a experiência muda de escala. O motor Specialized 3.1 entrega 101 Nm de binário e 666 W de potência, algo que se sente logo na primeira subida.
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A bicicleta simplesmente trepa tudo. Raízes, degraus, inclinações técnicas, trilhos destruídos deixam de ser obstáculos e passam a ser parte do percurso de forma natural. A potência está sempre disponível, mas é doseável e previsível.
E a bateria de 840 Wh altera completamente a forma como se pode planear uma volta. Deixamos de pensar na autonomia, pensamos apenas onde vemos hoje e nas descidas que queremos fazer. Em dias longos, com muito acumulado, esta pode ser uma vantagem clara.
O quadro da Levo 4 integra o armazenamento SWAT no tubo inferior e mostra uma abordagem mais robusta.
A suspensão dianteira Fox Float 38 Factory e múltiplos ajustes de compressão e retorno trabalha em conjunto com o amortecedor traseiro Fox Float X Factory com a tecnologia Specialized Genie e afinação Ride Dynamics Trail Tune.
O resultado é uma bicicleta muito estável. Vai colada ao chão, absorve impactos com facilidade e transmite segurança mesmo quando o trilho está rápido e irregular.
Mas, com cerca de 23,9 kg, esta é uma elétrica naturalmente mais pesada que a SL.
Esse peso nota-se em mudanças rápidas de direção ou em zonas muito “apertadas”, quando precisamos de dar aquele “saltinho” para mudar o sítio por onde vamos passar. Mas a estabilidade compensa quando a velocidade aumenta.

O sistema de travagem SRAM Maven Silver com discos de 220 mm à frente e 200 mm atrás garante potência de travagem consistente, e isto em ambos os modelos, sendo que na SL o disco de trás tem apenas 200 mm. Sem problemas.
Já a transmissão SRAM X0 Eagle Transmission com controlador AXS POD mostrou bom desempenho, nada assinalar, enquanto no capítulo das rodas contamos com conjuntos Roval Traverse HD em carbono. Apenas nas gamas Expert as bicicletas trazem rodas em alumínio.
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A mais rápida?
Selecionámos um segmento de descidas e saltos na zona de Torres Vedras para fazermos uma contagem de tempo a usar uma e outra bicicletas. E, nesse troço cronometrado, a Levo 4 foi mais rápida.
A confiança extra permitiu descer com mais velocidade e menos hesitação. A condução foi mais limpa, mais eficaz. Curiosamente, menos aérea.
Turbo Levo 4
Por outro lado, com a SL 2 Pro, saltámos mais. Arriscámos mais. Brincámos mais. Talvez isso tenha custado alguns segundos. Mas aumentou a sensação de diversão, disso não há dúvidas… Vê o vídeo acima, no início deste artigo, vale a pena!

| Reportagem fotográfica completa: | |
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| Equipa GoRide responsável pelo teste: | |
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