Muitos ciclistas tratam esta escolha como um detalhe logístico. Não é. Ignorar as diferenças práticas entre pedalar sozinho e pedalar em grupo pode ser o desperdiçar de oportunidades claras de progressão em desempenho, segurança e prazer.

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Quem quer tirar mais da bicicleta deve tentar perceber exatamente o que cada contexto oferece e, sobretudo, o que cobra em troca.

Pedalar sozinho é o exercício mais “honesto” do ciclismo. Não há rodas para te protegerem quando estás mal, não há ritmos impostos por terceiros, não há desculpas. Cada watt é teu. Cada erro de pacing também.

O grupo, pelo contrário, amplifica tudo, rendimento, risco, motivação e vícios. A maioria dos ciclistas não falha por falta de esforço, mas por falta de critério na escolha de quando pedalar sozinho e quando pedalar acompanhado. É aqui que está o verdadeiro ganho.

Treinar sozinho, como pode ajudar?

O principal benefício de pedalar sozinho é o controlo absoluto. Controlas ritmo, duração, intensidade e objetivo. Isto é crítico para quem quer evoluir de forma consistente. Treinos estruturados, trabalho de base, séries específicas ou rolar para recuperar funcionam melhor quando não estás “refém” do coletivo.

A solo aprendes a gerir esforço, a ler o vento, a respeitar limites e a tomar decisões técnicas sem interferência externa. Desenvolves resiliência mental, a capacidade de continuar quando ninguém puxa por ti. Essa competência faz diferença em provas longas, fugas, subidas decisivas ou finais difíceis.

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Mas convém não “romantizar”. Pedalar sozinho expõe-te mais: o vento castiga, os erros de pacing pagam-se caros e a motivação pode falhar, sobretudo em percursos repetidos.

A segurança também exige mais rigor: menos visibilidade para os automobilistas, ausência de apoio imediato em caso de problema e maior impacto psicológico em situações inesperadas. Quem pedala a solo tem de ser mais disciplinado, mais previsível na estrada e mais rigoroso na preparação.

Treinar em grupo

Quando bem usado, o grupo é uma “ferramenta” poderosa. O abrigo aerodinâmico permite manter velocidades elevadas com menor custo energético, ideal para trabalhar resistência em ritmos altos.

Aprendes dinâmica de pelotão, rolar em linha, fechar espaços, ler movimentos, poupar energia. Para quem compete ou faz provas longas, isto não é opcional, é uma competência básica.

Há também o fator social e motivacional: o compromisso com outros reduz faltas, aumenta a regularidade e torna o esforço mais tolerável.

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O problema é o custo escondido. A intensidade raramente é a certa. Vais demasiado forte em dias que deviam ser fáceis e demasiado confortável em dias que pediam que trabalhasses zonas mais intensas.

O clássico “só mais um sprint” acumula fadiga inútil e pode comprometer os treinos seguintes. Além disso, grupos mal organizados aumentam o risco, travagens sem aviso, mudanças de linha, diferenças grandes de nível e excesso de confiança são uma combinação perigosa.

Pedalar em grupo exige técnica, comunicação e humildade, três qualidades que nem sempre aparecem juntas.

A diferença que muitos ignoram

A solo, a responsabilidade é tua. Em grupo, cada decisão tua afeta os outros. Manter a linha, sinalizar obstáculos, respeitar o ritmo combinado e saber quando não deves ir ao limite não é boa educação, é segurança básica.

Muitos conflitos e quedas acontecem porque alguns ciclistas confundem o treino do grupo com um palco para provar forma ou ego.

Pedalar sozinho ou em grupo, o que é melhor?

A escolha entre pedalar sozinho ou em grupo começa com uma pergunta simples: qual é o objetivo deste treino?

Se estás a trabalhar base, recuperação e trabalho específico, precisas de foco e trabalho a solo. Mas se estás numa fase em que precisas de ritmo elevado, simulação de prova, dinâmica de pelotão e motivação, procura ter um grupo de treino.

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Os melhores resultados vêm da alternância inteligente. Usa o grupo como ferramenta e usa o treino a solo como base. E não confundas velocidade média com qualidade de treino: pedalar mais rápido nem sempre significa pedalar melhor.

Artigo por:
André Canuto
Crédito das imagens:
Unsplash.com

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