O ciclismo profissional entrou definitivamente na era da alta velocidade. Segundo dados da ProCyclingStats, as corridas do WorldTour atingiram em 2025 uma média histórica de 42,874 km/h – o valor mais alto desde que há registos. O pelotão nunca pedalou tão rápido.
Entre 2001 e 2020, a velocidade média das provas quase não se alterou – de 40,015 km/h para 40,437 km/h. Mas, a partir da época pandémica, o ritmo disparou. O salto é impressionante: 41,286 km/h em 2022, 41,807 km/h em 2023, 42,229 km/h em 2024 e agora este novo recorde. Em apenas cinco anos, o pelotão passou a rolar 6% mais rápido.
As clássicas de um dia acompanharam a tendência: em 2025, a média chegou a 43,568 km/h, um aumento de 5,7% face a 2020. A sensação é clara — o ciclismo moderno não abranda, acelera.
E o Tour de França confirmou a tendência. A edição deste ano, vencida por Tadej Pogacar, foi a mais rápida da história, com 42,849 km/h de média. Até as etapas de montanha foram disputadas a um ritmo vertiginoso, e o sprint até Châteauroux, ganho por Tim Merlier, entrou para o livro dos recordes como a segunda etapa de estrada mais rápida de sempre, com 50,013 km/h.
Mas os números contam apenas parte da história. Dentro do pelotão, a sensação é de pura velocidade. Primoz Roglic admitiu o seu espanto com a intensidade atual:
“Já chamo ao pelotão MotoGP. As velocidades são realmente incríveis, espantosas”, disse o esloveno, antecipando que o próximo ano “poderá ser ainda mais rápido”.
Os motivos por trás desta aceleração são claros: avanços em aerodinâmica, materiais, nutrição, treino e análise de dados transformaram o ciclismo numa ciência sobre rodas. O rendimento é cada vez mais otimizado, e cada watt conta.
Contudo, nem todos celebram esta corrida pela velocidade. À medida que o ritmo aumenta, crescem também as preocupações com a segurança. A UCI já tentou intervir, propondo limitar as transmissões a 54×11 para reduzir os picos de velocidade. A medida, porém, foi suspensa após contestação da SRAM, que argumentou que tal restrição distorceria a concorrência entre fabricantes, uma vez que a marca comercializa uma cassete com uma cremalheira mais pequena de 11 dentes.
A entidade prometeu recorrer e garantiu que a segurança dos ciclistas continua a ser prioridade. No entanto, enquanto o debate continua nas sedes das equipas e nos gabinetes da UCI, nas estradas a história é outra: o pelotão continua a acelerar — e a era das corridas-relâmpago parece estar apenas a começar.
Evolução da velocidade média nas corridas do WorldTour
| 2001 | 40.015 km/h | 40.192 km/h |
| 2002 | 39.786 km/h | 41.198 km/h |
| 2003 | 40.336 km/h | 41.751 km/h |
| 2004 | 39.622 km/h | 40.778 km/h |
| 2005 | 40.481 km/h | 41.422 km/h |
| 2006 | 40.693 km/h | 44.024 km/h |
| 2007 | 39.757 km/h | 42.056 km/h |
| 2008 | 40.166 km/h | 41.052 km/h |
| 2009 | 40.182 km/h | 40.898 km/h |
| 2010 | 39.928 km/h | 40.452 km/h |
| 2011 | 40.112 km/h | 41.440 km/h |
| 2012 | 39.721 km/h | 40.910 km/h |
| 2013 | 39.790 km/h | 39.283 km/h |
| 2014 | 40.254 km/h | 40.791 km/h |
| 2015 | 40.145 km/h | 40.733 km/h |
| 2016 | 40.133 km/h | 40.833 km/h |
| 2017 | 40.761 km/h | 40.819 km/h |
| 2018 | 40.585 km/h | 40.552 km/h |
| 2019 | 40.660 km/h | 41.390 km/h |
| 2020 | 40.437 km/h | 41.238 km/h |
| 2021 | 41.564 km/h | 42.202 km/h |
| 2022 | 41.286 km/h | 42.344 km/h |
| 2023 | 41.807 km/h | 42.772 km/h |
| 2024 | 42.229 km/h | 43.167 km/h |
| 2025 | 42.874 km/h | 43.568 km/h |
Crédito da imagem: LeTour ASO/X



