Não se pode dizer que Tadej Pogacar tenha começado da forma que sonhava o Campeonato do Mundo no Ruanda. O esloveno entrou em prova no contrarrelógio com a ambição de conquistar uma dobradinha inédita, mas acabou por sair desapontado: terminou em quarto lugar e foi mesmo ultrapassado, já na fase final, por Remco Evenepoel.
Ainda assim, o número um do mundo não se deixa abalar. Pelo contrário: está determinado a transformar a frustração em motivação, corrigir os erros e lutar para manter o título este domingo, na exigente prova de fundo.
Na conferência de imprensa, o vencedor da Volta a França falou com sinceridade sobre a sua preparação e partilhou as emoções da desilusão vivida no contrarrelógio.
O defendor do título mundial de fundo não esconde as suas ambições: “Estou aqui para a prova de estrada, por isso as expectativas são elevadas. Espero muito das minhas pernas e temos de procurar o melhor resultado.”
Pogacar sabe que não estará sozinho nesta batalha e faz questão de reconhecer a força da sua equipa: “Penso que temos aqui uma das equipas mais fortes, por isso devemos ser considerados os favoritos.”
Quanto à má experiência no último fim de semana, o esloveno não escondeu o impacto físico e emocional: “Quando aqui cheguei, treinei durante dois dias na bicicleta de contrarrelógio, depois corri e não consegui encontrar o ritmo, não tinha pernas. Mas depois de domingo, mudei para a minha bicicleta de estrada e não tenho problemas agora. Acho que me habituei ao ambiente, à altitude, ao clima, a tudo, por isso agora as minhas pernas estão a funcionar muito bem todos os dias.”
Com uma serenidade confiante, Pogacar também analisou os grandes nomes que se perfilam como rivais diretos na corrida: Isaac Del Toro, Pavel Sivakov, Tom Pidcock e, claro, Remco Evenepoel. Sobre o belga, deixou uma reflexão carregada de rivalidade e respeito.
“Remco provavelmente também queria vingar-se do Tour de França quando foi ultrapassado por Jonas no contrarrelógio de montanha, por isso penso que foi bom para ele. Haverá muitos rapazes impacientes a tentar de longe, e também haverá rapazes a observar-me. Veremos. Não devemos preocupar-nos muito com os adversários, mas sim concentrarmo-nos na nossa corrida, porque é muito longa e difícil, e é preciso poupar energia durante toda a corrida e ser inteligente em todos os sentidos.”
Mas, para sossegar os seus adversários e talvez lançar um toque de humildade, deixou claro que não pretende repetir a façanha do ano passado: “100 km não é fácil de fazer, mesmo com ajuda, por isso é um pouco longe. Não se pode fazer sempre.”
Crédito da imagem: OlimpismoMexico/X https://x.com/OlimpismoMex/status/1970967401933271427/photo/2



