Com o fim da época a aproximar-se, muitos ciclistas, sejam eles iniciantes ou mais experientes, começam a pensar na aquisição de uma nova “máquina”, certo? Mas como escolher uma nova bicicleta? Damos uma ajuda rápida!
O final de cada época de ciclismo (ainda faltam algumas semanas…) é um momento do ano particularmente relevante, não só porque coincide com alguns lançamentos das marcas para o ano seguinte, mas também porque há sempre oportunidades de compra nos modelos atuais.
No entanto, antes de tomar uma decisão é essencial avaliar com atenção diversos aspetos técnicos e práticos. De acordo com a nossa experiência neste campo, achamos que podemos ajudar com os cinco aspetos que se seguem.
O ponto de partida: que tipo de utilização?
O primeiro passo passa por definir o tipo de ciclismo que se pretende praticar, bem como a “intensidade” e frequência de utilização. Vais treinar todos os dias ou dar apenas umas voltas ao fim de semana? O tipo e valor da bicicleta a comprar pode depender um pouco disto…
Por outro lado, estrada, gravel e BTT, entre outras categorias, significam bicicletas com características bastante distintas, e tudo isso influencia diretamente o tipo de quadro, a geometria, os componentes e até os acessórios disponíveis.
No ciclismo de estrada, por exemplo, é cada vez mais clara a separação entre modelos de competição, com geometria agressiva e posição aerodinâmica, e modelos de endurance, orientados para o conforto em longas distâncias.
No gravel, a tendência tem sido a diversificação. Há bicicletas pensadas para aventuras com carga (bikepacking), outras mais orientadas para competição, e algumas focadas no conforto e na polivalência.
Já nas bicicletas de BTT, a distinção entre hardtail e suspensão total continua a depender do tipo de trilhos e da experiência do utilizador (e do orçamento disponível!)…
Quadro e materiais: leveza ou robustez?
A escolha do material do quadro é outro ponto crítico. O alumínio continua a ser popular nas gamas de entrada, sendo talvez mais “durável” e acessível. O carbono, por sua vez, oferece melhor relação entre peso e rigidez, mas implica pagar mais e ter maiores cuidados na manutenção.
Importa também considerar que há diferentes tipos de carbono com variações de desempenho relevantes.
Além do material, a geometria do quadro deve ser analisada com atenção. As tabelas de medidas disponibilizadas pelas marcas são um bom ponto de partida, mas não substituem um bike fit adequado.
A posição em cima da bicicleta tem impacto direto na eficiência, conforto e prevenção de lesões.
Componentes e transmissão: eletrónica ou mecânica?
Nos anos mais recentes, a transmissão eletrónica tornou-se mais acessível, com gamas médias a integrarem sistemas sem fios e mudanças automáticas. Shimano Di2, Sram AXS ou Campagnolo EPS são exemplos de tecnologias em crescimento, mas que continuam a exigir manutenção especializada e recarga frequente da bateria.
Para muitos ciclistas, as transmissões mecânicas continuam a ser uma opção fiável, económica e fácil de reparar, eventualmente.
Por outro lado, as 12x estão a tornar-se padrão, mas ainda coexistem com grupos de 11x e até 10v, especialmente no mercado de bicicletas usadas ou em gamas mais baixas. E em especial nas bicicleta de estrada e/ou gravel, pois no BTT as 12x são o standard, claramente.
A escolha destes componentes deve equilibrar o desempenho com a facilidade de manutenção e a disponibilidade de peças.
Oportunidade ou precipitação?
O final da época é também o momento em que as marcas começam a apresentar os modelos do ano seguinte. Isto levanta uma dúvida: comprar agora ou esperar?
Embora as novidades tragam, por vezes, melhorias relevantes em peso, integração ou aerodinâmica, nem sempre essas diferenças são determinantes para o ciclista “médio”.
Em muitos casos, os modelos do ano atual oferecem excelente desempenho, por vezes com preços mais acessíveis devido a campanhas de liquidação de stocks e promoções.
A decisão deve, portanto, assentar mais nas necessidades do utilizador do que nas tendências do mercado. Se o modelo atual responde bem ao tipo de prática, está disponível no tamanho certo e com uma configuração adequada, pode fazer sentido avançar.
Escolher com tempo, testar se possível
Uma bicicleta é um investimento relevante, tanto do ponto de vista financeiro como físico. Comprar com tempo, analisar várias opções, experimentar geometrias e consultar opiniões especializadas pode evitar erros difíceis de corrigir mais tarde.
Sempre que possível, testar modelos semelhantes em loja ou em eventos de demonstração ajuda a perceber diferenças que, no papel, podem não ser tão óbvias.
Crédito da imagem: Envato / dmytros9





