É de Portugal que se fala no Giro. Já não bastava João Almeida estar de camisola rosa, Rúben Guerreiro venceu agora uma etapa. Mas há mais. O ciclista da EF Pro Cycling vestiu a camisola de líder da montanha, sendo que Almeida (Deceuninck-QuickStep) acumula a da juventude. Fica só a faltar a dos pontos, estando essa bem segura com Arnaud Démare (Groupama-FDJ). Este domingo foi um dia histórico para o ciclismo nacional.

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Na Volta a Espanha de 2019, Rúben Guerreiro tinha ficado muito perto de conquistar uma etapa, naquela que foi a sua primeira grande volta. Entretanto, trocou a Katusha-Alpecin (comprada pela Israel Stat-Up Nation) pela EF Pro Cycling, naquele que foi um regresso a uma equipa americana.

Guerreiro sempre admitiu como tinha adorado estar numa grande volta, o quanto tinha ficado satisfeito com a sua performance e como o seu corpo se tinha adaptado a tanta exigência. Assinou contrato desejoso de regressar a uma prova de três semanas, querendo tornar as grandes voltas como um dos objetivos de carreira. Este ano tocou-lhe o Giro.

Desde o início que vinha a perder a algum tempo, claramente a preparar-se para entrar numa fuga. Este domingo a tentativa singrou. Tao Geoghegan Hart (Ineos Grenadiers), Larrt Warbasse (AG2R), Kilian Frankiny (Groupama-FDJ), Mikkel Bjerg (UAE Team Emirates) foram ciclistas que deixou para trás na última subida. Ficou com Jonathan Castroviejo. O espanhol da Ineos Grenadiers não teve hipótese quando o português arrancou a cerca de 300 metros da meta, em Roccaraso, depois de 208 quilómetros, com quatro mil metros de acumulado.

“Finalmente! Que grande alegria depois de muitos segundos lugares! A equipa e eu merecíamos esta vitória. Foi muito difícil entrar na fuga esta manhã e foi uma vitória extraordinária”, afirmou Rúben Guerreiro. E acrescentou: “No ciclismo profissional é tão difícil ganhar. Este é o meu quarto ano como profissional e é um sentimento incrível conseguir esta vitória depois de um dia tão complicado.”

Guerreiro consegue um triunfo que perseguia há muito. Desde que chegou ao World Tour pela mão da Trek-Segafredo, depois de dois anos na Axeon Hagens Berman (por onde também passou João Almeida) – ambas americanas- que a sua carreira em sido marcada por altos e baixos. Passou por alguns problemas de saúde, com lesões e quedas, que lhe dificultaram a afirmação. Na Katusha-Alpecin surgiu no final da temporada, agarrando um contrato com a EF Pro Cycling, que aposta no português, precisamente para este tipo de performances. Nas equipas americanas, Guerreiro sempre se adaptou bem à cultura.

E para a EF Pro Cycling é a confirmação de um bom Giro. Jonathan Caicedo venceu a terceira etapa, tentou tirar a camisola rosa a João Almeida, sem sucesso, tendo liderado na montanha. Classificação que agora tem Guerreiro como primeiro classificado, com oito pontos de vantagem sobre Giovanni Visconti (Vini Zabù-KTM).

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Desde Acácio da Silva que nenhum português vencia na Volta a Itália. Ou seja, desde 1989, ano em que também vestiu a camisola rosa que João Almeida agora manteve.

© Stuart Franklin/Getty Images/Deceuninck-QuickStep

Não foi um final de etapa fácil para o português. A chuva e o frio não facilitou a vida a ninguém, mas se só a Trek-Segafredo ainda tentou aumentar o ritmo antes da subida final, tudo acabou guardado para os últimos dez quilómetros, a subir, depois de uma primeira categoria e duas de segunda. Aliás, os ataques só surgiram mesmo perto do fim da primeira categoria que fechou a etapa. Com 12% de pendente no derradeiro quilómetro, Almeida acabou por perder algum tempo.

Wilco Kelderman (Sunweb) é agora segundo, a 30 segundos, com Pello Bilbao (Bahrain-McLaren) a cair para terceiro, mas a encurtar distância para a liderança: 39 segundos. Seguem-se Domenico Pozzovivo (NTT), a 53 segundos, e Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), a 57. A restante concorrência tem mais de um minuto para recuperar.

Com nove etapas realizadas, a Volta a Itália terá o seu dia de descanso esta segunda-feira. João Almeida sobreviveu a um grande teste, num domingo que ficará para a história do ciclismo nacional.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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