Mais do que uma vitória, foi uma demonstração de caráter de Primoz Roglic. Depois de perder a Volta a França de forma tão dramática para Tadej Pogacar, no contra-relógio final, o ciclista da Jumbo-Visma mostrou que essa derrota não definiu a sua carreira e reagiu com uma exibição de grande nível, do seu nível, conquistando a sua segunda Vuelta consecutiva em outra tantas participações, sem esquecer que já havia ganho o seu primeiro monumento, na Liège-Bastogne-Liège.

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Roglic confirmou na tarde deste domingo a vitória, na chegada a Madrid, mas as decisões finais foram no sábado, com a chegada ao Alto de la Covatilla. O esloveno sofreu um derradeiro susto nos cinco quilómetros finais, quando Richard Carapaz atacou e chegou a estar a menos de 20 segundos de vestir a camisola vermelha.

© Photo Gomez Sport/Jumbo-Visma

Porém, um elemento surpresa acabou por ajudar a decidir a corrida. A Movistar, com Enric Mas (vencedor da juventude e quinto na geral) e Marc Soler (que procurou ganhar mais uma etapa, sem sucesso) deram o que paecer ser uma ajuda a Roglic, quando este ficou sem companheiros de equipa e estava a ter algumas a dificuldades em aproximar-se de Carapaz.

Em causa estão contas por ajustar de 2019. Carapaz saiu a mal da Movistar, quebrando contrato com a formação espanhola para assinar pela Ineos (agora Ineos Grenadiers). Foi um episódio do “divórcio” entre a equipa e o empresário Giuseppe Acquadro, representante do equatoriano. Carapaz havia ganho a Volta a Itália e depois estava previsto ir à Vuelta. Entretanto, competiu num critérium sem autorização da Movistar, caiu e falhou a grande volta espanhola. Um final de relação que não ficou esquecido.

Contudo, este episódio que acaba por marcar um pouco a Volta a Espanha, não tira mérito à vitória de Roglic. Foi um ciclista forte, tal como a sua equipa, ainda que a Jumbo-Visma não tenha sido tão dominante como no Tour. Mas o resultado final foi bem melhor!

© Photo Gomez Sport/La Vuelta

Roglic ultrapassou todos os testes que lhe eram colocados depois da desilusão do Tour, incluindo ao ganhar o contra-relógio, que foi uma das quatro etapas que conquistou. Foi ainda o vencedor da camisola verde, dos pontos. Na geral, Richard Carapaz ficou 24 segundos do esloveno, com Hugh Carthy a ser a surpresa da competição ao ser terceiro. O ciclista da EF Pro Cycling ficou a 1:15 minutos.

Guillaume Martin (Cofidis) é o rei da montanha da Vuelta 2020, com a Movistar a continuar a sua senda de subir ao pódio como vencedora da classificação por equipas. Rémi Cavagna (Deceuninck-QuickStep) foi nomeado o super combativo da Vuelta.

© Photo Gomez Sport/La Vuelta

Na última etapa – Hipódromo de la Zarzuela – Madrid, 139,6 quilómetros – Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) foi o mais forte no sprint que não só assinalou o final da Volta a Espanha, como encerrou a temporada de ciclismo de estrada.

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Em ano atípico, com tantas corridas canceladas, as três grandes voltas conseguiram ir para a estrada e chegar ao fim. A Vuelta teve menos três etapas (foram anuladas as que deveriam ter ocorrido nos Países Baixos), mas foi também aquela com regras mais apertadas, com o público a ser completamente banido das subidas e apenas em algumas localidades (a corrida passava à porta de casa muita gente) se viu mais pessoas a assistir in loco, com Madrid a contar também com algum público, mas muito longe das enchentes de outros anos. Não houve qualquer caso positivo de covid-19 durante a Vuelta, ao contrário do que aconteceu no Tour e no Giro.

Agora é esperar por um 2021 melhor, ainda que as dificuldades e toda esta nova realidade vão continuar a fazer parte da forma como as provas serão organizadas. As corridas australianas que costumam abrir a temporada já estão a ser canceladas, casos do Tour Down Under e com a organização da Cadel Evans Great Oceans Road Race a analisar a situação, que poderá levar a decisão idêntica.

Classificações completas da Volta a Espanha, via ProCyclingStats.

Os portugueses:

  • 39º Nelson Oliveira (Movistar), a 1:42.02 horas. Foi mais uma vez a referência da Movistar no trabalho em prol do líder, Enric Mas, mas também para Marc Soler. Realizou uma excelente Vuelta, cumprindo exemplarmente a sua função e ainda foi terceiro na etapa da sua especialidade: o contrarrelógio.
  • 44º Rui Costa (UAE Team Emirates), a 1:54.48. Muito tentou uma vitória de etapa, entrando em várias fugas. Não conseguiu, mas surgiu em grande forma, foi muito combativo e ainda ajudou David de la Cruz a subir no top dez. A desclassificação na antepenúltima etapa por sprint irregular não foi uma decisão consensual, mas influenciou a boa corrida que fez.
  • 99º Ricardo Vilela (Burgos-BH), a 3:32.34. Foi chamado à última hora pela equipa para a Vuelta e talvez tenha pago o facto de não ter feito uma preparação para a corrida. Passou algo despercebido, numa equipa que não esteve bem na corrida.
  • 101º Ivo Oliveira (UAE Team Emirates), a 3:38.14. Estreia em grandes voltas e nota muito positiva. Incansável a trabalhar, comprovou como pode ser importante nessa função e no lançamento de sprints. Jasper Philipsen bem lhe agradeceu a sua vitória.
  • 119º Rui Oliveira (UAE Team Emirates), a 4:03.39. Também se estreou em três semanas e, como o irmão, com nota positiva precisamente por ser um bom ciclista para trabalhar e cada vez melhor no lançamento de sprints.

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