Depois de cinco horas de cirurgia na quarta-feira à noite, após a queda no sprint final da Volta à Polónia, foi esta sexta-feira confirmado que Fabio Jakobsen acordou do coma induzido e responde a estímulos. Um passo importante, mas os médicos alertam que, apesar de estável, o estado de saúde do ciclista é “sério”, como foi descrito Pawel Gruenpeter, um dos responsáveis do hospital de Sosnowiec, onde o holandês está internado.

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“O paciente está consciente, reage a solicitações, respira sem ajuda, a função cardíaca é normal. Estamos muito felizes”, afirmou Gruenpeter, citado pelo site Velonews. Acrescentou que se Jakobsen “sobreviveu a tal queda, irá certamente regressa ao desporto”.

A equipa, Deceuninck-QuickStep acrescentou que o ciclista “conseguiu comunicar com os médicos” e mexeu os braços e pernas, afastando assim problemas graves a nível neurológico. No entanto, salienta que a recuperação será longa e que, no atual estado de saúde, comer e falar, por exemplo, são pormenores difíceis de fazer.

Junto de Jakobsen já está a família, depois de viajar num avião fretado por Patrick Lefevere, diretor da estrutura belga. O psicólogo da equipa também foi para a Polónia para prestar apoio aos restantes membros da equipa, que permaneceram na corrida.

O campeão holandês ficou gravemente ferido depois de, ao disputar o sprint na primeira etapa à Volta à Polónia, em Katowice, ter sido encostado às barreiras pelo compatriota Dylan Groenewegen. O ciclista da Jumbo-Visma chegou mesmo a levantar o cotovelo para evitar que o rival o ultrapassasse.

O resultado foi uma das piores quedas vistas no ciclismo em tempos recentes. As barreiras não ofereceram a proteção que era suposto. Jakobsen acabou por passar por cima e cair totalmente desamparado. As barreiras inclusivamente foram atiradas para a estrada, provocando ainda mais quedas, num autêntico caos.

Jakobsen, 23 anos, sofreu ferimentos graves no rosto e nas vias respiratórias, mas a Deceuninck-QuickStep afirmou que o diagnóstico inicial não identificou lesões cerebrais, nem cervicais.

Groenewegen pede desculpas

O ciclista da Jumbo-Visma recorreu às redes sociais para pedir desculpas pelo seu gesto. “Odeio o que aconteceu ontem [quarta-feira]. Não consigo encontrar as palavras para descrever o quanto lamento pelo Fabio e pelos outros que foram afetados pela queda ou atingidos. De momento, a saúde do Fabio é o mais importante. Estou a pensar nele constantemente”, escreveu no Twitter.

Dylan Groenewegen, 27 anos, foi desclassificado e expulso da corrida, ainda que também ele tenha acabado por cair, partindo a clavícula. Apesar de estar a ser apontado como um dos responsáveis, contudo, a organização está a ser chamada igualmente à atenção. Aquele final é em descida, com os ciclistas a conseguirem atingir velocidades a rondar os 80 quilómetros por hora, além das barreiras terem demonstrado que não garantiam a segurança dos atletas.

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A UCI já entregou o caso à Comissão Disciplinar, enquanto a Jumbo-Visma irá analisar o que aconteceu internamente. A equipa emitiu um comunicado em que não só deixa palavras de apoio a Fabio Jakobsen, como realça como Groenewegen assume o erro ao desviar-se da sua linha de ação (o ciclista não pode mudar de direção num sprint). A Jumbo-Visma escreveu ainda que o corredor holandês não irá participar em qualquer corrida até que seja conhecida a decisão da Comissão Disciplinar da UCI.

Lefevere acusa Groenewegen

O diretor da Deceuninck-QuickStep não perdeu tempo a pedir a prisão para Dylan Groenewegen, apelidando-o mesmo de assassino e mantém esse discurso. O caso já estará a ser investigado pelas autoridades polacas para determinar se há responsabilidade criminal por parte do holandês da Jumbo-Visma.

Um popular advogado belga Walter van Steenbrugge, que defendeu vários casos no desporto, explicou ao Het Laatste Nieuws que a prisão não é um final previsível. Van Steenbrugge afirmou que pode estar em causa um “delito de danos e lesões”, dado que Groenewegen abriu o cotovelo naquele momento e não estava a pedalar com os cotovelos abertos.

“Não creio que o Groenewegen possa ser condenado a uma pena de prisão, mas a sua ação requer uma forte sanção disciplinar e, seguramente, uma compensação económica por danos e prejuízos”, referiu. O advogado alerta que essa compensação pode ser milionária.

Em vez da via criminal, o processo poderá seguir a via de responsabilidade civil e o valor da indemnização irá estar dependente do futuro de Jakobsen, segundo Van Steenbrugge: “É um corredor jovem, de 23 anos, pleno de talento que, por causa da queda, pode não correr mais num ano ou mais. Inclusivamente pode não regressar à competição. As perdas para o ciclista e para a sua equipa são enormes.”

Porém, alerta que a responsabilidade poderá ser partilhada. “Era um final seguro? As barreiras estavam colocadas conforme as regras”, questionou. E terminou dizendo que “legalmente vai tornar-se numa verdadeira confusão”.

Outros ciclistas afetados

Foram vários os ciclistas que caíram no final daquela primeira etapa da Volta à Polónia. Eduard Prades (Movistar) fraturou uma vértebra e teve de levar pontos numa ferida nas costas.

Damien Touzé (Cofidis) fraturou o dedo indicador da mão direita, enquanto Marc Sarreau ficou com lesões no ombro, incluindo rutura de ligamentos.

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