Esta segunda-feira cumpriu-se o segundo dia de descanso no Giro 2022, mas o primeiro em que os corredores puderam realmente repousar e relaxar, uma vez que o anterior, após a terceira etapa, foi preenchido na viagem da Hungria para a Sicília.

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Assim, os principais protagonistas da primeira semana de corrida, retemperaram forças após um bloco de etapas desgastantes, que culminaram com a da chegada em alto, ao Blockhaus, no último domingo. Também como é habitual neste dia de treino curto e leve, os corredores mais em foco falaram à imprensa, para fazer o balanço do seu desempenho e lançando desde já o que anteveem para a semana de competição que arranca já terça-feira.

Juan Pedro Lopez (Trek-Segafredo): “Top-5 seria mais do que um sonho”

Até onde vai Juan Pedro Lopez? Ainda de rosa no final da primeira semana do Giro, o espanhol conseguiu a façanha, no domingo, durante a terrível etapa do Blockhaus, de manter alguns segundos de vantagem na classificação geral. É certo que é uma margem pequena – 12″ sobre João Almeida, 14″ sobre Romain Bardet, 15″ sobre Richard Carapaz… -, mas o jovem trepador da Trek pode ambicionar, com alguma segurança, manter a ‘maglia’ por mais alguns dias.

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“Quero aproveitar a liderança todos os dias e vou dar tudo de mim em cada quilómetro. Vestir a camisola rosa é um sonho. Um objetivo final de classificação? Vou dia a dia, não quero falar da geral, vamos ver qual será o meu resultado. Creio que terminar no top 5 seria mais do que um sonho”

Único líder da sua equipa desde o fracasso de Giulio Ciccone nas encostas do Blockhaus, o andaluz de 24 anos sabe que, para já, dificilmente terá oportunidade de vencer uma etapa. “Com a camisola rosa não posso tentar surpreender de longe, os meus adversários me vão deixar. No entanto, as oportunidades ainda podem surgir e tentarei, porque nunca levantei os braços como profissional”.

JOÃO ALMEIDA (UAE EMIRATES): “Ninguém está fora de série”

João Almeida está a fazer o seu caminho nesta Volta a Itália. Bastante discreto, mas sempre resiliente perante as adversidades e a dizer presente nos momentos decisivos, o corredor português não perdeu tempo nas encostas íngremes do Blockhaus. Ao seu ritmo, enfrentou os ataques de Carapaz, Bardet e Landa, e é, entre estes, o melhor classificado na geral, a 12 segundos de Juan Pedro Lopez.

“Não sei como consegui chegar com os da frente”, admitiu João Almeida no topo do Blockhaus, afirmando desde logo ter tido um dia menos bom, com sensações e pernas más.

“Não foi bombástico hoje. Não me senti muito bem o dia todo. Para ser honesto, foi só sofrer nesta etapa. Não tinha pernas. Tive que lidar com isso, subindo ao meu ritmo. Sofri muito para perder o mínimo de tempo possível, por isso estou satisfeito por ter conseguido terminar com os melhores e salvar o dia”, explicou.

“A Ineos impôs um ritmo forte, eu estava ao máximo, no limite. Creio que todos lutaram por se manter no grupo da frente. A corrida ainda é longa, cada corredor pode ter um dia mau. Ninguém está fora de série na minha opinião”.

Romain Bardet (DSM): “Estou a aproveitar os dias”

Terceiro na classificação geral, a 14 segundos de Juan Pedro Lopez, Romain Bardet teve uma primeira semana promissora, cumprindo o contrarrelógio em Budapeste acima das expectativas e confirmando o bom momento na equipa do Blockhaus. O francês da DSM estava naturalmente satisfeito no dia de descanso.

 

“Dou a impressão de estar a gostar deste Giro? É isso, isso resume bem. Por enquanto… está a correr bem. Ainda não estamos a metade da prova, mas sinto-me bem, foi um começo muito bom. Nos dois primeiros testes fui aprovado com sucesso. Se estou mais liberto? Já passei por muita coisa nas grandes voltas, grandes alegrias e deceções, estou apenas a aproveitar os dias à medida em que vão passando, fazendo o meu melhor, mas sem me sobrecarregar. A ideia é dar o melhor até o fim”, afirmou Bardet.

“As próximas quatro etapas podem ter armadilhas, e em particular a etapa de amanhã (terça-feira). Teremos de ficar atentos. A etapa de sábado, em Turim, será importante, é ainda mais difícil do que a etapa de montanha no dia seguinte.

Richard Carapaz (Ineos): “Fiz boa primeira semana”

Apontado como o grande favorito no início desta Volta a Itália, Richard Carapaz assumiu a iniciativa no primeiro confronto direto entre os candidatos à camisola rosa, na subida do Blockhaus. Não conseguindo fazer a diferença, terminou a jornada em terceiro, atrás de Jai Hindley e Romain Bardet. Ainda assim, o vencedor do Giro 2019 estava satisfeito com as suas sensações.

“Nunca fico feliz quando perco, mas estamos aqui por um objetivo maior. As sensações são boas, estamos na batalha da geral. Temos que seguir nosso plano. Estou satisfeito, fiz uma boa primeira semana”.

Jai Hindley (Bora): “Trabalhei muito para voltar a este nível”

Depois de se ter revelado na edição de 2020 do Giro – a par de João Almeida – Jai Hindley passou por um seguinte conturbado, sem resultados, mas parece estar de volta e logo no palco onde despontou para o ciclismo mundial.

E nada melhor do que vencer uma etapa de alta montanha, como a do Blockhaus, à frente do seu ex-companheiro de equipa Romain Bardet (Team DSM) e Richard Carapaz. O australiano aproveitou a excelente subida de João Almeida para, na roda do português, recuperar para o trio da frente (Bardet, Carapaz e Landa), batendo todos ao sprint. Hindley é 5º da geral, a 20″ da camisola rosa posiciona-se como líder da Bora com Emanuel Buchmann, após o fraco desempenho de Wilco Kelderman na etapa de domingo.

“Estávamos todos a fundo na subida, foi terrível. Tentei sobreviver como pude. Sabia que nos últimos quilómetros a subida era menos inclinada, principalmente no último. Faltavam 200 m, decidi começar o meu sprint, porque queria fazer a última curva na liderança… e fui feliz”

“É incrível. Não tem sido um grande ano para mim, mas trabalhei muito para voltar ao meu melhor nível, àquele que tive durante o Giro que me tornou famoso. Não sei bem o que dizer, apenas que é simplesmente incrível”.

Guillaume Martin (Cofidis): “Estou na luta da geral”

A 9ª etapa foi um grande teste às aspirações de Guillaume Martin… e o francês foi aprovado. Completamente fora da luta pela classificação geral após o Etna, a etapa de sábado em Nápoles permitiu a Martin recuperar 3 minutos, ao integrar a fuga bem-sucedida. E no dia seguinte, no Blockhaus, o líder da equipa Cofidis tinha a missão perder o menor tempo possível. Em dificuldade quando Richie Porte passou a imprimir o ritmo do grupo de favoritos na subida, o gaulês cedeu, mas atenuou as perdas com um positivo 11º lugar no topo, a 1’08” de Jai Hindley, o vencedor.

“Foi uma etapa que temia depois dos esforços na véspera. Mas recuperei bem e, no final, at+é tive boas sensações. Estou satisfeito com o meu desempenho e com o lugar em que me encontro no final desta primeira semana”, disse o sexto da classificação geral.

“O começo foi um pouco complicado, e em particular no Etna, mas consegui endireitar as coisas. Se fizer um balanço do último fim de semana, é muito positivo, estou na luta pela geral. Agora é praticamente o começo do Giro, ainda há muito o que fazer. Vou recuperar durante as primeiras etapas desta semana, que não devem ser as mais intensas, e enfrentar os dias difíceis com motivação”, conclui Guillaume Martin.

Mikel Landa (Bahrain Victorious): “Pode ser este o meu ano”

Muito forte nas encostas do Blockhaus, Mikel Landa mostrou que tem condições físicas para conquistar grandes coisas neste Giro. Sétimo na classificação geral, a 29 segundos de Juan Pedro Lopez, o terceiro no Giro 2015 espera continuar a melhorar durante a segunda semana – e recuperar das mazelas das duas quedas na etapa do Blockhaus.

“Estou com dores, tenho hematomas por todo o lado, mas espero que não seja nada que me afete o rendimento. A etapa do Blockhaus deu-me moral. Tinha dúvidas sobre como estaria, e principalmente em relação aos meus adversários. Mas, mesmo depois das minhas quedas, senti-me muito bem, e posso dizer que estaremos na luta.”

 

“É um sonho vencer o Giro. Já tentei muitas vezes, e talvez este seja o meu ano. Faltam muitas etapas, a geral ainda não está decidida, mas acredito que posso vencer, porque estou entre os melhores. Carapaz, Almeida e Bardet são muito fortes, e não esquecer Hindley”.

Caleb Ewan (Lotto Soudal): “Não irei além da 13.ª etapa”

Vencido por Mark Cavendish na 3ª etapa e depois por Arnaud Démare (Groupama-FDJ) nos últimos dois dias reservados aos velocistas, Caleb Ewan ainda tem o contador de vitórias a zeros no Giro 2022.

 

“Claro que não é o ideal. Vim aqui para vencer uma ou mais etapas e ainda não consegui. São poucas as hipóteses, mas já estive nesta situação. Sei que tenho que continuar a fazer o que tenho feiro e esperar que um dia resulte, que consiga essa vitória”, disse o australiano de 27 anos.

O sprinter da Lotto-Soudal projetou-se assim nas próximas etapas: “As próximas duas etapas são oportunidades para os velocistas. A etapa de quarta-feira normalmente será decidida ao sprint, porque é completamente plana. Terça-feira será um pouco mais difícil. Se tiver pernas boas, tudo bem, mas veremos como me sentirei. Não quero ir além da 13ª etapa neste Giro, porque a partir daí será muito difícil para mim e tenho de manter-me fresco para o Tour”.

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