Num assomo de excesso de confiança, Wout van Aert ergueu os braços antes de tempo – num déjà vu da celebração antecipada (e errada) de Julian Alaphilippe na Liège-Bastogne-Liège de 2020 -, e permitiu que David Gaudu (Groupama-FDJ) o ultrapassasse sobre a meta, conquistando a terceira etapa do Critério do Dauphiné esta terça-feira, de 169 quilómetros entre Saint-Paulien e Chastreix-Sancy, com a chegada a coincidir com uma contagem de montanha de segunda categoria.

Van Aert levou as mãos à cabeça tão rapidamente quanto as ergueu, reconhecendo o erro, que o atirou para a segunda posição, à frente do francês Victor Lafay (Cofidis) e do português Ruben Guerreiro (EF Education-EasyPost), que obteve o quarto lugar na tirada e subiu a sexto na geral.

“Quando ele levantou os braços, eu já tinha passado. […] Perseguia uma vitória como esta desde o início do ano”, afirmou David Gaudu, que venceu a segunda etapa da Volta ao Algarve 2022.

“Sinto-me envergonhado, porque trabalhámos arduamente durante todo o dia e no final perdi por minha culpa. Não tenho palavras. Vi que tinha superado o corredor da Cofidis à minha esquerda, e pensei que estava ganho, mas não vi a progressão do Gaudu, que acelerou à minha direita”, reconheceu Van Aert após cortar a meta.

A jornada foi animada por seis fugitivos, alcançados já dentro dos 10 quilómetros finais. Com a liderança de Alexis Vuillermoz para defender, a TotalEnergies assumiu a perseguição à fuga do dia, inicialmente formada por Jonas Wilsly (Uno-X), Thomas Champion (Cofidis) e Sebastian Schönberger (B&B Hotels-KTM), que receberam, posteriormente, a companhia de Pierre Roland, Alexis Gougeard e Miguel Heidemann, todos da B&B Hotels-KTM.

A inexperiência da formação francesa, do segundo escalão mundial, obrigou a Jumbo-Visma a entrar ao serviço, para apanhar os fugitivos, na esperança de devolver a amarela a Wout van Aert, um objetivo concretizado após o falhanço da discussão da etapa.

O belga, primeiro amarela desta edição do Dauphiné, regressou ao comando da geral, com seis segundos de vantagem sobre Gaudu e 12 sobre Lafay, enquanto Guerreiro está a 16 segundos do homem da Jumbo-Visma.

O anterior líder, que foi o primeiro francês a comandar a geral do Dauphiné desde Christophe Moreau em 2007, perdeu um minuto e caiu 40 posições, sendo agora 41.º da geral, com o outro português em prova, Ivo Oliveira (UAE Emirates) a ser 115.º, a mais de 15 minutos de Van Aert.

Na quarta-feira, o campeão belga defende a liderança no contrarrelógio de 31,9 quilómetros, entre Montbrison e La Bâtie d”Urfé.