É oficial. Chris Froome vai mesmo terminar a sua longa relação com a Ineos. Sem garantias de ser um líder indiscutível na equipa britânica, Froome aceitou a proposta da Israel Start-Up Nation, que muito desejava ter um ciclista de elevado perfil para “empurrar” a equipa para o topo.

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Um dos donos, Sylvan Adams, não esconde o orgulho no momento em que anuncia a chegada de Chris Froome, que vestirá o novo equipamento a partir de janeiro de 2021. Os rumores que davam conta de uma eventual saída ainda antes do próximo Tour, não se confirmaram.

“O Chris é o melhor ciclista da sua geração e vai liderar a nossa equipa na Volta a França e [outras] grandes voltas. Esperemos fazer história juntos, enquanto o Chris persegue mais vitórias no Tour e nas grandes voltas, conquistas que farão do Chris um sério caso de ser considerado o melhor ciclista de sempre”, acrescentou o responsável, no comunicado divulgado pela Israel Start-Up Nation.

Froome afirmou estar “entusiasmado” por juntar-se “à família da Israel Start-Up Nation”. Realçou que o impacto da equipa no desporto está a “expandir-se rapidamente”. “Sinto que podemos alcançar grandes feitos juntos”, disse.

Não foi revelada a duração do contrato, sendo dito apenas que Froome ficará até ao final da carreira na estrutura israelita.

Novo desafio aos 35 anos

O britânico está com a Ineos desde o início deste projeto em 2010, naquele que era então o seu quarto ano como profissional. Começou como braço direito de Bradley Wiggins, no grande objetivo da equipa: ganhar a Volta a França. Foi para isso que nasceu a então Sky.

O feito foi alcançado em 2012, mas nessa edição do Tour, Froome deixou bem claro que era ele o mais forte. As imagens de Froome a arrancar e a olhar para trás à espera de Wiggins foram das que marcaram o início da dinastia da Sky/Ineos no Tour.

Wiggins, então com 32 anos, rapidamente começou a ficar em segundo plano, com Froome a querer ser o líder e a equipa a fazer-lhe a vontade. O resto é história.

Primeira vitória de Chris Froome na Volta a França, em 2013 (© A.S.O.)

Quatro Tours (mais sete etapas), duas Vueltas (cinco etapas) e um Giro e uma etapa… e que etapa! Foi a famosa dos 80 quilómetros de fuga pela montanha até Bardonecchia, rumo à camisola rosa. E só para referir o currículo em grandes voltas.

Recorde-se que Froome até passou a ser o primeiro homem da equipa a ganhar uma grande volta, pois com Juan José Cobo a ser sancionado por doping no ano passado, o espanhol ficou sem a vitória na Vuelta em 2011. Froome tinha sido segundo, depois de Wiggins, o líder da Sky, ter fracassado.

A concorrência

No entanto, mesmo sendo um dos melhores voltistas da história, Froome não se livra de ter uma nova geração a querer tirar-lhe o estatuto de número um na Ineos. Em junho do ano passado, Froome sofreu uma queda muito grave no Critérium du Dauphiné e ficou afastado do Tour. Muitas foram as dúvidas sobre o futuro do britânico, até se voltaria a competir. Já o fez, mas não há ainda garantias que possa ser o mesmo Froome de sempre.

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Egan Bernal era a estrela em ascensão na Ineos e venceu o Tour de 2019 com enorme classe, deixando inclusive para trás Geraint Thomas, o vencedor de 2018. Nesse ano, Froome pagou a fatura do esforço feito para ganhar o Giro. Mas Thomas ganhou com mérito e Bernal também.

A Ineos vê o colombiano não como o futuro, mas como o presente e as recentes trocas de palavras entre Bernal e Froome adivinham um ambiente bem quente no Tour dentro da equipa. O colombiano já tentou apaziguar as coisas, mas espera-se uma disputa interna entre um Bernal, de 23 anos, a querer consolidar-se como um dos melhores e um Froome à procura do quinto Tour para se juntar aos recordistas. E ainda a sonhar com o sexto para ser o mais ganhador de sempre em França.

Froome soma sete vitórias de etapas no Tour (© A.S.O.)

Razão da saída

A Ineos também confirmou a saída do seu ciclista e não esconde que já não é possível garantir a liderança que Froome exige. “Dadas as suas conquistas, o Chris está, compreensivelmente, desejoso de ter um papel de líder único na equipa no próximo capítulo da sua carreira, o que é algo que não lhe conseguimos garantir neste ponto. Uma saída da Ineos pode certamente dar-lhe isso”, afirmou Dave Brailsford, diretor da equipa britânica.

O responsável disse ainda que, desta forma, vai poder dar a outros membros da equipa mais oportunidades de liderança, “que também merecem”. Além de Bernal, a equipa conta com o russo Pavel Sivakov, Tao Geoghegan Hart, Iván Ramiro Sosa e Eddie Dunbar, para falar dos jovens talentos que mais recentemente chegaram a equipa e que rapidamente começaram a mostrar terem muito para dar. Além destes nomes, a Ineos contratou para este ano Richard Carapaz, vencedor do Giro de 2019, pela Movistar.

Apenas o primeiro reforço

Os primeiros passos de grande ambição da agora Israel Start-Up Nation foram dados em 2015, quando surgiu como uma equipa Continental. Mas desde logo ficou bem claro – e nunca foi segredo – que o objetivo era chegar ao principal escalão. Em 2017 subiu a Profissional Continental e no ano seguinte teve um momento muito especial.

A Volta a Itália começou em Israel e, sem surpresa, a equipa recebeu um convite para a corrida. Em 2019 surgiu a oportunidade que os responsáveis aguardavam. Com a Katusha-Alpecin com problemas para continuar, a formação israelita ficou com a sua licença World Tour para 2020, aproveitando também para assegurar ciclistas como Nils Politt, por exemplo, contratando dois experientes atletas do pelotão: Dan Martin e o sprinter André Greipel, que recentemente renovou com a Israel Start-Up Nation.

A estratégia de contratação da equipa passa precisamente por garantir ciclistas que possam trazer resultados imediatos. No entanto, a aposta em Froome traz mais desafios. A equipa vai precisar de se reforçar para construir um bloco forte em redor do britânico, se este quiser fazer frente àquela que será a sua ex-equipa em 2021.

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Falta saber também, quem é que Froome tentará eventualmente levar com ele da Ineos para a Israel Start-Up Nation.

Um dos nomes que poderá estar a ser equacionado pela formação israelita é o de Richie Porte. O agora ciclista da Trek-Segafredo já foi o fiel escudeiro de Froome. Aos 35 anos poderá ter o mesmo problema que o antigo companheiro de equipa: os mais jovens começam a ameaçar tirar-lhe estatuto. Falta saber se Porte não se importará de ser novamente gregário. Mas para já, é apenas um rumor.

Concentrado no Tour

A Dave Brailsford explicou que uma das razões de o anúncio da mudança de Froome ser feito agora, foi para terminar precisamente com os rumores da possível saída antes do Tour.

O ciclista garante que está focado apenas numa coisa: vencer a quinta Volta a França, que arranca em Nice a 29 de agosto.

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