Aos poucos as equipas começam a anunciar as renovações de contrato, pelo menos aquelas que gozam de alguma saúde financeira. A paragem na temporada devido à pandemia de Covid-19 está a levar alguns ciclistas a adiar planos de reforma, optando por tentar marcar presença em mais uma época “normal”. André Greipel era um dos corredores cujo o adeus em 2020 não seria uma surpresa. Mas não. Renovou por mais dois anos e vai competir até aos 40… pelo menos!

Depois de uma passagem pouco feliz na Arkéa Samsic (onde nem terminou a temporada de 2019), Greipel tinha como objectivo fazer mais uma grande época antes de deixar o ciclismo.

O ano de 2020 começou agridoce na Israel Start-Up Nation, equipa que subiu ao World Tour. Mostrou que estava a melhorar a forma na Austrália, mas uma queda afastou-o da Volta ao Algarve, devido a uma fratura no ombro.

É um dos sprinters de maior sucesso em anos recentes, com mais de centena e meia de vitórias – a maioria na Lotto Soudal –, incluindo nas três grandes voltas, mas tem andando afastado dos grandes momentos nas últimas duas temporadas, não conseguindo estar ao nível da nova geração de sprinters. No entanto, sempre foi um lutador e nunca virou a cara a um desafio.

Os responsáveis da Israel Start-Up Nation veem no alemão um líder importante numa equipa que não só quer vingar no World Tour, como tornar-se numa das mais fortes do pelotão. Além de desejarem que Greipel some vitórias, querem também tirar partido da sua experiência.

O ciclista de 37 anos, em comunicado divulgado pela Israel Start-Up, afirma: 2Para dizer a verdade, estava à espera que a equipa me oferecesse mais um ano de contrato. Fiquei muito lisonjeado e satisfeito pela confiança demonstrada em mim pelo responsáveis da equipa. Foi uma decisão fácil aceitar a proposta e estou preparado para prolongar a carreira e ajudar a equipa a crescer.”

Equipas apostam cada vez mais em ciclistas experientes

Com contrato até 2022, caso decida então terminar a carreira, Greipel despedir-se-á com 40 anos, algo que vai parecendo cada vez mais normal no ciclismo atual. Alejandro Valverde (Movistar) é o quarentão do momento, mas as equipas tendem a garantir que os seus plantéis contam com ciclistas muito experientes.

Recentemente a Trek-Segafredo “tirou” Pieter Weening da reforma. De forma a enfrentar o calendário com muitas corridas num curto espaço de tempo, a estrutura americana quis reforçar as suas opções e escolheu um holandês a quem não falta experiência ao mais alto nível, depois de 17 anos como profissional, a maioria no principal escalão.

De referir que a Trek-Segafredo também anunciou hoje uma renovação por duas temporadas com um dos líderes. Bauke Mollema vai prosseguir a carreira na formação que representa desde 2015.

Quanto à Israel Start-Up Nation, tem ainda Nils Politt como outro dos ciclistas com quem quererá certamente renovar, pois aos 26 anos é um dos homens de clássicas de quem se espera poder obter bons resultados, como demonstrou ao ser segundo no Paris-Roubaix em 2019.

E, entretanto, a equipa vai piscando o olho a Chris Froome, estando atenta a um eventual desconforto do britânico na Ineos, numa altura em que vai perdendo estatuto com a consolidação de Egan Bernal como figura principal para as grandes voltas.